O cigano

Há uns tempos no reflexão portista fizemos uma "sondagem"  sobre que venda seria menos lamentável no fim da época? , o resultado não deixou muitas dúvidas: 82% para o Quaresma.

Não sei se é por ele ter as costas largas ou não, mas o resultado não me surpreendeu em nada, e hoje ao ler a crónica do Hugo Sousa n'O Jogo dei comigo a concordar com cada palavrinha:

Quando se vê Quaresma jogar, há duas hipóteses. Primeira: esticar a pele à volta dos olhos com a ponta dos dedos, fingindo um ar achinesado de paciência. Segunda: evitar que, de tão arregalados, eles saltem das órbitas. Como em Guimarães. É impossível ficar-se insensível a um golo como o primeiro que Quaresma marcou a Nilson, mas o segundo, que também foi muito bom, levanta uma questão que não é nova: terá sido um sinal de confiança, aceitável naquele contexto despreocupado, ou uma prova desnecessária de teimosia que ele repetiria mesmo numa final da Liga dos Campeões? Acho que sei a resposta e espero que ele chegue a uma final da Liga dos Campeões para a comprovar. Mas, adiante.

Apesar de ter dado certo, ao optar pelo remate, quanto tinha Farías, Mariano e Adriano a esbracejar, acabou por desenterrar, ainda que ao de leve, desconfianças que, volta e meia, ensombram o relacionamento com os adeptos. Quaresma gosta e vive do risco, como sublinha, acertadamente, Boloni aqui ao lado. Uma opção desgastante, que o obriga a alternar mais vezes do que o talento dele mereceria entre ser o bestial ou a besta de serviço. Resumindo, o talento é indesmentível, a forma como ele o aplica é que será menos consensual.

Eu pela minha parte, confesso que "miléssimos" de segundos antes do 3º golo, o insultei do piorio.

Para reflectir

O vídeo fala por si.

A ignorância

Uma das coisas que mais me irrita é falta de conhecimento que o pessoal tem das leis do futebol. Sabe-se o básico e o resto inventa-se consoante é a favor ou contra o nosso clube.

Se nos adeptos comuns isto me irrita, pelo menos naqueles que têm a mania que sabem tudo sobre futebol, muito mais me irrita ouvir da boca de supostos comentadores desportivos barbaridades e ainda lhes pagarem para isso (e pior, com dinheiro meu). Vem isto a propósito, do comentário do comentador (passe a redundância) da SportTV quando o Adriano faz o 5º. Sinceramente não sei quem era o homem (tentei identificá-lo mas não consegui), mas disse mais ou menos isto: "O Adriano na altura do 1º passe está em fora de jogo posicional, e depois tira partido da posição irregular", e insistiu nisto umas duas vezes, levando o Rui Orlando a tentar clarificar o lance e a sentenciar: "Não há nenhuma irregularidade".

Não tiro daqui nenhuma cruzada do comentador contra o FC Porto, mas já não digo o mesmo contra o futebol. São comentadores destes que dão má imagem do futebol, que incendeiam os espectadores, que não formam os espectadores, que são mais cegos que um invisual. E o pior é que é tudo fruto da ignorância.

A FIFA é clara, só há fora de jogo nestes caso se o jogador que inicialmente estava em fora de jogo e é o marcador do golo, estiver à frente da linha da bola no momento do último passe. O Adriano embora estivesse em posição de fora de jogo no início da jogada, como no 1º momento não teve intervenção directa na jogada e depois, quando recebe a bola está atrás (ou em linha) com a mesma, não há lugar à marcação de fora de jogo, o golo é perfeitamente legal.

Que um comentador desportivo não saiba isto e ainda por cima desinforme os espectadores, é no mínimo sinal de incompetência. Tudo isto está documentado no site da FIFA, havendo mesmo uma animação flash a descrever este caso em particular (ver slide 22)

Há dúvidas?

Quer-me parecer que não.

A cigarra e a formiga

A cigarra é uma grande cantora e passou o verão todo cantando lindas canções no alto de uma árvore.

Ficava o dia inteiro cantando e olhando as formigas trabalharem sem parar.

O verão passou.  O inverno chegou.

A cigarra, com frio, fome e tossindo muito, um dia bateu na porta da casa da formiga.

A formiga olhou por uma fresta e perguntou:

- Quem é você? Por que está tão suja e gripada?

- Eu sou a cigarra que mora no alto da árvore, cantei o verão todinho e agora não tenho comida nem casa para me abrigar do vento e do frio.

- Ah, cantava? Pois agora dance!

Prá 2ª! Prá 2ª!

Há dois anos, confirmámos a ida do Guimarães 'prá 2ª' divisão, este ano podemos confirmar a ida do Guimarães 'prá 2ª' posição.

E hoje, como há dois anos, só me apetece cantar 'Prá 2ª!, Prá 2ª! Prá 2ª!

 

Tibete

Os homens e seus apoiantes até têm razão, mas causa-me alguma (para não dizer muita) alergia esta forma de intervir. Desporto é desporto, política é política, jogos olímpicos são jogos olímpicos.

Desde o tempo do Misha (já não se fazem mascotes como antigamente) - em que não percebi muito bem a explicação da minha mãe para Portugal não estar presente - que tenho esta alergia à mistura da política nos jogos.

Paradoxalmente, não consigo sentir o FC Porto sem olhar para além do aspecto desportivo, sem sentir a ligação à cidade, sem sentir a ligação à região, sem sentir que o FCP representa bem mais que 11 jogadores a darem pontapés a uma bola, sem sentir que a frase "O Porto é uma nação" é mais que um slogan.

 

Contas à moda do Porto

3 nos últimos 3 - 100%

5 nos últimos 6 - 83%

10 nos últimos 14 - 71%

13 nos últimos 20 - 65%

16 nos últimos 24 - 67%

18 nos últimos 31 - 58%

23 em 74 - 31%

 

(cada dia que passa, mais se me entala na garganta aquela época de 2004/2005)

A justiça é cega, mas deverá também ser surda?

 

Este dias têm sido pródigos em informações e contra-informações, uma das que, agora, corre por aí é que o FC Porto vai contestar o uso das escutas no processo disciplinar.

Sobre isto, reponho aqui um texto que escrevi há mais de um ano, sobre esta temática em relação ao apito dourado e a Valentim Loureiro, mas que mudando os nomes, continua a reflectir o meu pensamento:

Valentim Loureiro em 30.01.2007:

«Se este processo vier a terminar por questões de direito, porque o decreto-lei é inconstitucional, ou por causa das escutas serem ilegais, eu de certa maneira ficarei triste. Porque eu quero que se analisem os factos e quero sair deste processo porque não há factos que me incriminem»

Advogado de Valentim Loureiro em 06.03.2007:

«E vou recorrer, como por exemplo relativamente à questão das nulidades.
Estou surpreendido, especialmente no que se refere à validação das escutas telefónicas. Essa era a parte em que apostava mais»

 

Uma coisa que parece clara é que: as escutas são verdadeiras, não é ninguém a emitar a voz do Valentim e companhias, nunca foram postas em causa, somente se põe em causa a legalidade das transcrições.

Se foram cumpridos ou não todos os requisitos legais para as gravações e transcrições, sinceramente nesta altura preocupa-me pouco. As coisas chegaram a um ponto em que não basta ser sério, há que parecê-lo. E qualquer defesa que se esquive a justificar em tribunal palavra a palavra das escutas, pode até no final ter o veredicto de não culpada, mas não vai parecê-lo. Como diz Valentim Loureiro "eu quero que se analisem os factos", se forem culpados que sejam punidos, se forem inocentes que se faça justiça e se limpem os respectivos nomes.

Para mim, qualquer arguido que seja ilibado com base em nulidade de escutas e inconstitucionalidades, terá sempre uma nuvem negra sobre a cabeça.