Andava certamente na primária, quando aprendi os rudimentos do xadrez e como na altura ainda não havia o spectrum, o xadrez era sempre um bom jogo para os dias de chuva, em que não podíamos andar a jogar à bola na rua ou quando estávamos à espera que alguém perdesse no ping-pong para ocuparmos a mesa.
Na inocência de crianças nós percebíamos daquilo a pacotes, não percebíamos muito bem eram os comentários e as jogadas apresentadas no telejornal (sim, na altura os campeonatos de xadrez eram comentados no telejornal, eram explicadas/ensinadas as jogadas, ...). E no meio disto tudo havia uma referência, um tal de Bobby Fischer, não sabíamos muito bem quem era (e não podíamos ir ao Google procurar), mas era o maior. Já tinha fama de louco, de gajo que não batia bem, mas em termos de jogo era imbatível, lembro-me das referências a que jogava sempre contra "10", que nunca tinha perdido, ... enfim aqueles mitos que as crianças constroem.
Os anos passaram, o xadrez foi substituido pelo match day, chuckie egg e companhias, mas ficou sempre o mito, o Fischer era o maior (os comunistas eram maus e comiam criancinhas). Os anos continuaram a passar e a informação chegou mais pormenorizada, confirmou-se que não batia bem, mas por aqui continuará a ser o maior.