Esta história do Ramadão e do Tarik, é interessante do ponto de vista social e daquilo que ainda é a força da(s) religião(ões) hoje em dia.
Acho que não há dúvidas, que um jogador de futebol não pode estar na mesma condição física quer pratique, ou não, o Ramadão. Se a prática desportiva já é exigente com todo o treino, com todos os cuidados na alimentação, ... ainda o é mais quando estes cuidados são descurados.
Um profissional de futebol, ao adoptar essa profissão, abdica de uma série de actividades sociais e de hobbies em troca por um bom salário, de forma a estar preparado para em cada jogo dar o melhor de si e assim justificar o salário que recebe e o bilhete que os espectadores pagam para o ver jogar. Por isso, as normas dos clubes incluem regras que obrigam os jogadores a recolher a casa até determinada hora, a terem determinadas regras de alimentação, a não conduzirem motos, ... E quem não as cumpre sofre as consequências de processos disciplinares por falta de profissionalismo.
Há um jogador que a 2 dias de um jogo vai a Vigo (ver a família) e só volta para casa às 4:00.
Há um jogador que em estágio de um jogo se põe a fazer tranças no cabelo.
Há um jogador que em estágio se pisga até ao bar e fica alegre.
Há um jogador que durante um mês não ingere alimentos e líquidos, durante o dia.
Qual destas situações é mais gravosa em termos profissionais? Qual destas retira maior capacidade física ao atleta para a prática da sua profissão? Qual a situação que implica, para o clube, uma menor disponibilidade do seu profissional ao qual continua a pagar? Em que situações vão os jogadores pagar multas?
Qual destas é a situação que os clubes aceitam? Qual destas é a situação que socialmente é aceite?
Pois é! Por muita força que o futebol tenha, ainda não tem força para se meter em guerras com a religião.