Basta que sejam profissionais e honrem a camisola

Nos tempos que correm, além do profissionalismo, só peço que honrem a camisola. É verdade, que sinto saudades dos tempos em que além disso se via o amor à camisola, e havia uma ligação do clube aos jogadores e dos jogadores ao clube.

Por muito que hoje tenhamos bons jogadores, a ligação afectiva adepto-jogador para mim é completamente distinta daquela que tinha há uns anos. A minha tolerância a falhas, as minhas críticas e a minha admiração são/foram completamente distintas para um Gomes ou para um Lisandro, para um Oliveira ou para um Anderson, para um Semedo ou para um Lucho, para um Quinito ou para um Ibson, para um Quaresma ou para um Futre, para um Vermelhinho ou para um Pitbull, para um PdC presidente do clube ou para um PdC administrador da SAD, ... Eu sei que todos eles no fim do mês levam/levaram o dinheirinho para casa, nunca jogaram de borla, mas cá no íntimo sinto que os de hoje são mais 'peseteiros' que os antigos, sendo que a culpa não é exclusivamente dos jogadores, a necessidade da SAD efectuar anualmente mais valias com a venda de jogadores também ajuda (e muito). 

Hoje, dois dedos chegam para enumerar os jogadores do plantel que simbolizam algo mais que ser jogador profissional do FC Porto - Vítor Baía e Pedro Emanuel. E como são raros, devem ser salvaguardados e independentemente de jogarem ou não, devem ter uma 'protecção' especial. Daí ter aplaudido a decisão da SAD em ter renovado o contrato com o Pedro Emanuel quando ele se lesionou.

Pois bem, no sábado vão voltar ao Dragão, dois dos últimos jogadores que encaixaram neste lote: Jorge Costa e Aloísio. Se o Aloísio teve a oportunidade de acabar a carreira nas Antas e de se despedir dos adeptos, ao Jorge Costa tal oportunidade foi-lhe roubada por alguém que se achava maior que o clube e não soube aproveitar a mais valia fora do relvado (e dos 90 minutos), que estes jogadores podem - e devem - proporcionar. E se o dito "treinador" não o soube aproveitar, a SAD também ficou muito mal na fotografia quando o Jorge Costa decidiu acabar a carreira - o mínimo que se pedia era que o "fizessem subir" ao relvado no jogo seguinte, para se despedir dos adeptos.

Por isto no sábado irei aplaudi-lo de pé, depois sento-me e voltarei a convencer-me que me basta que sejam profissionais e honrem a camisola.