Este ano, lá para Abril-Maio (+-), haverá eleições no FC Porto - isto se a actual direcção, não prolongar o mandato por mais um ano como estatutariamente pode fazer. Não sabemos se o irá fazer, como não sabemos se PdC encabeçará um nova lista. Sabemos é que já corre há alguns meses um abaixo-assinado para convencê-lo a recandidatar-se, e se o fizer ganha.
Nestes anos só conheci PdC como presidente do FCP, nos anos de Américo de Sá nem sabia que havia um presidente - o Porto era o Gomes, o Oliveira, o Freitas, o Simões, o Fonseca, o Duda, o Ademir, o Rodolfo, ... quando comecei a descobrir que havia um presidente, já este era PdC, e admirava-o. Ele estava sempre lá a defender o FCP, era sempre o primeiro a dar o peito às balas, eram famosas as suas entrevistas, e eu revia-me nelas e na sua luta pelo FCP, pelo Porto e pela regionalização. Os anos foram passando, o FCP a crescer, os títulos a aumentar e PdC era definitivamente o principal rosto. Pelo meio ia ouvindo muitas coisas sobre ele, sempre as ouvi como ataques ao FCP e nunca lhes dei crédito, mesmo quando uma semana, após um FCP-Famalicão em que um jornalista da RTP foi agredido, vi PdC a conversar muito amigavelmente com o agressor junto ao pavilhão das Antas. Li o "Golpe de Estádio" e achei aquilo muito naïf. Vi a retrete a ser penhorada e indignei-me. Vi uma piscina olímpica não construída e a culpa era obviamente da EDP. Assinei baixo-assinados para o estádio ter o nome de Pinto da Costa.
Até que veio a criação da SAD, que votei a favor, e comecei a interessar-me mais pelas questões extra-desportivas, aquelas que estão além da vitória/derrota, da bola que entra ou que bate no poste. E PdC começou a desiludir-me. Comecei a não gostar de ver promessas não cumpridas, comecei a não gostar de ver compras a pacote, comecei a não gostar de ver questões pessoais de PdC a interferirem no FCP, comecei a não gostar de ver empresários a gravitar, comecei a não gostar de ver ligações a políticos, mas continuei a votar em PdC. Até que veio José Mourinho e aí verifiquei pela primeira vez, que a importância do treinador era maior que a do presidente, e apesar das vitórias importantes de 2004 decidi não votar em PdC - com a decisão final a ser tomada pela inclusão de Fernando Gomes (ex-presidente da câmara) e de Paulo Teixeira na lista, e pelas pazes com a SIC / patrocínio do Andebol (sem a mínima explicação aos adeptos).
E se em 2004 estava desiludido com a gestão de PdC, fundamentalmente pela vertente económica, hoje estou muito mais. Nestes 3 anos, as causas/problemas pessoais de PdC tiveram um impacto negativo na imagem do clube, as questões financeiras só pioraram, continua a não haver pavilhão (era a grande promessa de PdC para este triénio que está a acabar), o FCP deixou de ser uma referência na prática desportiva não competitiva na cidade, isto sem esquecer a época 2004/2005 que foi do mais puro surrealismo que se possa imaginar.
Não tenho dúvidas que PdC não será minimamente beliscado em termos criminais no "Apito Dourado", mas sinceramente isso não me basta. Uma coisa são questões criminais, outra coisa são questões de dignidade e imagem do clube, e aquilo que é público das escutas, não deixa boa imagem. E nisto não acho que se possa passar um cheque em branco a PdC, por muito que o FCP lhe deva - PdC tem que se explicar aos sócios e não basta lançar insinuações que outros fazem o mesmo ou pior - para comícios desportivos já me bastou o "comício" contra o Record (na época da história da viagem do Calheiros ao Brasil), Record com quem mais uma vez PdC fez as pazes sem uma palavra aos sócios.
Durante algum tempo acreditei que o melhor, quando PdC saisse, era ficar alguém da sua confiança, depois do exemplo que se passou em Barcelona após a saída do Nunez, e pela falta de confiança que tenho actualmente na SAD - na sua globalidade, não creio que essa seja uma boa solução.
Quer isto dizer que, caso haja eleições e caso PdC seja candidato, eu não votarei em PdC. Nem em nenhum delfim, caso PdC não seja candidato. Mas também não votarei num para-quedista qualquer. Como acredito que PdC se vai candidatar (ou prolongar por mais um ano), não creio que apareça ninguém credível a queimar-se enfrentado-o, por isso nas próximas eleições já há pelo menos um voto em branco.