O patriotismo bacoco

Hoje ao ler uma notícia n'O Jogo, a que deram o título de Ivanov 'culpa' holandeses, onde se escreve o seguinte:

Da forma como decorreu o encontro, Ivanov apenas ficou surpreendido com o comportamento dos jogadores holandeses, que no seu entender provocaram muitas situações. "Se dos portugueses já seria de esperar alguns truques sujos, pois são conhecidos por tentarem perder tempo e baterem por trás, foi uma desagradável surpresa ver os holandeses praticarem esse tipo de truques e, nesse sentido, foram mesmo os instigadores".

Quando alguém diz isto dos jogadores portugueses, e o corpo da notícia é desviada para os "interesses patriotas", só dá razão ao David Borges nas suas crónicas no Sportugal (aqui e aqui):

Confesso que não estou a ser capaz de acompanhar o Mundial pelos olhos da nossa lusitana comunicação. Falta-lhe, no acompanhamento da selecção portuguesa, curiosidade, reflexão, pensamento próprio e ousadia; e falta-lhe o olhar à volta, na captação de fabulosos detalhes da mais gigantesca concentração de adeptos que o desporto pode gerar.

O Portugal-Holanda foi, no dizer de um colunista brasileiro, “um jogo de brucutus”. Eu suponho que “brucutu” quer dizer brutamontes, caceteiro, sarrafeiro e o plural usado  significa que na visão dele houve "brucutus” holandeses e “brucutus” portugueses. Estou de acordo. Eu também acho que houve “brucutus” dos dois lados mas dizer isso, assim, em Portugal, é arriscar prisão no pelourinho, com a multidão a aplaudir e Scolari e Madail a iniciarem a lapidação…