Um dia destes o Jorge Maia em O Jogo sintetizava algumas coisas que têm sido ditas, nos últimos tempos, sobre a gestão do FC Porto:
Se o FC Porto tem hoje um orçamento maior do que os outros, se o consegue apesar de, como fazem questão de repetir, ter menos adeptos, se não tem que vender património para o conseguir, então, claramente, é porque foi mais bem gerido. Por outras palavras, por muito que algumas pessoas se contorçam, por muitas vértebras que desloquem, por muitas luxações que sofram, a explicação para o título do FC Porto acaba por ser quase sempre a mesma: competência.
Toca em três aspectos que gostava de pegar e olhá-los de outra forma:
- Ser o mais bem gerido, não quer dizer que é bem gerido. A mim não me satisfaz que o FCP seja o mais bem gerido, satisfaz-me que seja bem gerido. Se este ano a gestão melhorou algo, isso não apaga em nada a péssima gestão do ano anterior, nem faz dela uma boa gestão financeira só porque ganhou desportivamente.
- Competência. Já sei que o dinheiro, não implica títulos. Mas o dinheiro associado a uma boa gestão tem mais probablidades de obter títulos, que uma boa gestão mas que tem acesso a menos dinheiro. Por isso será normal que um orçamento como o do FCP (a nível interno), se for bem gerido, tenha mais títulos. Isso é prova de competência? claro que é, mas o que se deseja é que haja a mesma competência gastando menos uns "trocos", que se consigam na mesma títulos com um orçamento mais baixo, essa sim é a competência que sempre admirei em PdC: ganhar gastando menos que os outros.
- Se não tem que vender património para o conseguir. Esta frase que já li muitos portistas "atirarem" aos lagartos, só prova que as pessoas desconhecem a "realidade" do clube.
O Porto não vai vender património por um simples motivo: já o vendeu. E vendeu património não desportivo e património desportivo.
Se o FCP hoje em dia não tem as contas piores do que aquilo que estão, é porque vendeu património. Fez foi um percurso distinto dos lagartos, mas a raiz dos negócios é a mesma: vender património para financiar as contas, o FCP vendeu no início do projecto (por exemplo: vendeu terrenos onde foi construído depois um centro comercial), os lagartos estão a vender a meio do projecto (fizeram eles o centro comercial e agora querem vendê-lo). Qual é o melhor caminho? Sem dúvida que aquele que o FCP traçou, mas isso não invalida que a venda de património foi uma realidade.
Para hoje termos o Dragão e a equipa que temos, abdicámos de muito património: trocámo-los por 1 estádio, 3 campos de treino, 2 pavilhões, 1 piscina e outros terrenos. O património hoje do FCP resume-se praticamente ao Dragão, nem o centro de estágio é nosso (é um aluguer por 50 anos), e apesar dessa venda toda de património só o aumento de quotas permitirá (a ver vamos quantos anos ou aumentos vão ser necessários) a construção de um pavilhão (PdC dixit na última assembleia geral).
Por isso, usar este argumento (Se não tem que vender património para o conseguir) para justificar o que quer que seja, é atirar areia para os olhos das pessoas.