Escusado será dizer que concordo com aquilo que o António Tavares Teles hoje escreve em O Jogo:
É verdade: os clubes e SAD continuam a gastar muito para além das receitas que têm. E a hipotecar-se. Se bem que alguns já nem tenham nada para hipotecar. Nem receitas para antecipar. Continuando porém a fugir, ou a tentar fugir para a frente.
(...)
O FC Porto (por exemplo) teve encaixes fabulosos nos últimos anos, graças por um lado ao tento de Mourinho a comprar jogadores (só o necessário, barato e com provas dadas internamente); e por outro ao seu génio como treinador. Mas que fizeram os dirigentes? Liquidaram (podiam ter liquidado grande parte dele) passivo? Não, esbanjaram dinheiro às carradas em jogadores que não lhes trouxeram, na sua grande maioria, o menor benefício desportivo, exaurindo-lhes como agora pode constatar-se, os cofres. E assim...
Só que a verdade é que os clubes (e SAD) portugueses ainda não se convenceram que têm de viver do que produzem (na formação), com um retoque aqui e ali é certo, mas comprando sempre (e aqui entra o papel de uma boa prospecção) na dupla perspectiva de gerar durante algum tempo mais-valias desportivas, sim senhor mas, um pouco mais tarde, gerar igualmente mais-valias financeiras. Porque apenas clubes como o Barcelona, o Real Madrid, o Manchester United, o Liverpool, o Arsenal, o Chelsea (sobretudo o Chelsea), o AC Milan, o Inter e poucos mais podem ter a pretensão de comprar feito, e praticamente por qualquer preço. Os outros (tais como o FC Porto, o Benfica e o Sporting, para só falar em clubes/SAD portugueses, têm de “fazer” eles próprios os produtos que consomem para, se tiveram o tal tento à partida e sorte em seguida, poderem exporta-los.
Infelizmente porém não é assim que as coisas por cá se passam: ninguém (enquanto tiver um assomo de vida, por mais pequeno que seja) quer dar o braço a torcer, ninguém quer ser o primeiro a entrar por esse caminho