TBZ


A minha crítica a este negócio é a sua falta de transparência. Se é bom ou mau negócio é difícil de dizer porque nos ocultam (a adeptos, sócios, mas fundamentalmente aos accionistas) dados.

E falta de transparência porquê?

Primeiro pela quantidade de entidades envolvidas.

Ora vejamos:
- a marca FC Porto é propriedade do clube
- a marca FCP foi cedida pelo clube à FCP-SAD por um período de 99 anos
- a FCP-SAD por sua vez cedeu a marca à PortoComercial
- agora a Porto Comercial cedeu a marca à TBZ

Desconheço a legalidade de tanta cedência, mas transparente não é. Parecem aquelas empreitadas/sub-empreitadas da construção civil, em que pelo meio há sempre alguém a não fazer nenhum e a ganhar algum.

Segundo, porque sabendo-se o proveito esperado não se sabe que custos vão ser cortados. Ou seja, os últimos relatórios e contas dizem-nos que a Porto Comercial teve proveitos anuais na ordem dos 7,5-8 milhões, sendo uns 3 a 3,5 milhões referentes ao merchandising, e deste valor o relativo ao licenciamento da marca FCP andará pelos 800 a 900 mil euros.

Mas para ter estes proveitos, existem custos, sendo o licenciamento o caso em que esses custos serão menores. No total os custos andam ligeiramente abaixo dos proveitos, a PortoComercial tem dados lucros (quando dá) quase residuais.

Do novo acordo, sabemos que os proveitos em 10 anos serão 13,5M (uma média de 1,35M por ano), mas continuará a PortoComercial a pagar as rendas das lojas azuis, ou essa responsabilidade passou também para a TBZ?
Aquilo que a TBZ vai pagar corresponde aos actuais valores de licenciamento, ou licenciamento + merchadasing, ou licenciamento + merchandising + vendas nas lojas? E que custos vão ser cortados? Salários de funcionários das lojas? Administradores da PortoComercial? Rendas das lojas? ...

Se o valor referência são os 800-900 mil euros de licenciamento, o negócio parece ser bom, corresponde a um aumento anual na ordem dos 11,5%.

Se o valor referência é outro (valor de merchandising, ou vendas), de bom negócio parece ter pouco.

Sem se saberem as respostas a estas questões é difícil dizer que é um bom, mau ou assim-assim negócio. Vamos ter de esperar pelos próximos relatórios para termos mais dados concretos.