A SAD, o treinador e a táctica

Esta recente mudança de táctica, relança-me a dúvida sobre qual é a política desportiva (nomeadamente de formação) da SAD.

Deve a SAD ser responsável pela escolha do modelo táctico, dos jogadores e arranjar um treinador que os treine nesse modelo, enquadrando toda a estrutura do futebol no mesmo esquema?

Ou deve a SAD contratar um treinador, este escolher os jogadores, definir o sistema táctico e fazer pela vida?

A história dos últimos 25-30 anos do FC Porto esteve mais baseada na primeira hipótese, a estrutura mantinha-se e entravam treinadores de 2 em 2 anos (Artur Jorge, Ivic, Quinito, CAS, Robson, Oliveira, Fernando Santos), com algumas derivações para a segunda: Robson e Mourinho, sendo que o Robson teve as pernas cortadas após ter contratato o Mogrovejo, voltando a direcção a tomar as rédeas das contratações. Na era pós-Mourinho, a SAD voltou a chamar a si as contratações, e se no ano passado as contratações andaram ao sabor da onda (ou das comissões), este ano estabilizaram um bocado, mas é para mim claro que este plantel é responsabilidade da SAD.

Sendo o plantel da responsabilidade da SAD, fazia sentido que o treinador fosse escolhido para treinar o plantel no modelo definido pela SAD para o futebol do clube, que olhando para o passado passariam por um 4-4-2, 4-3-3, como dizia Ilídio Vale em Julho: "os modelos continuam perfeitamente instituídos".

Vemos agora que o treinador quer impor um outro modelo de jogo. Que conclusões tirar?

Se o treinador vem para impor o seu modelo de jogo, não deveria também ser responsável pela construção do plantel? Co já disse várias vezes que este é o plantel da SAD.

A equipa B deve adoptar o modelo em vigor na equipa principal? Ou seguir os modelos "perfeitamente instituídos"? Os centrais na formação devem ser formados para jogar como o actual Pepe ou à Fernando Couto / Jorge Costa? Os laterais devem saber subir ou fechar ao centro?

Já sei que o que o pessoal quer são vitórias, eu também. Desportivamente é-me igual ganhar em 4-4-2, 3-5-2, 1-7-3, 5-3-2, ... e jogar bem não é exclusivo de nenhum sistema táctico.

Financeiramente, estas situações dúbias de construção de plantel e de modelos tácticos, são para mim arriscadas.  Implicam um treinador não ter um plantel à sua imagem, nem o treinador tirar partido total do plantel, com as consequentes contratações e dispensas de jogadores.