Já tenho por aqui batido muito na falta de transperência na SAD do FC Porto, nomeadamente na forma de apresentação de contas (exemplos, a forma de contabilizar as mais valias de jogadores - escondendo as comissões pagas, a falta de critério para a comunicação de factos relevantes, ...), mas também não deixa de ser verdade que se a SAD não cumpre com informações claras aos seus accionistas, o árbitro (a CMVM) nunca a obrigou a tal.
E sinceramente parece-me que a CMVM olha para as SAD's com alguma complacência, pouca importância lhes dá, e as vê mesmo como empresas de 2ª ou 3ª categoria.
Muito mais grave que o silêncio relativamente à falta de critério na SAD do FCP, é o silêncio (ou a demora a reagir) da CMVM no caso da SAD do Estoril.
Vejamos:
- Em Agosto de 2004, o Veiga detinha 80,55% (directa ou indirectamente) da SAD do Estoril
- Em Setembro/Outubro de 2004, antes de ir para o ben7ica, o Veiga vendeu a sua participação directa a 3 empresas Inglesas. Ficando indirectamente a controlar 38,78%
- Entretanto surgiram logo várias notícias sobre a ausência de contactos nas tais empresas inglesas, de nunca terem contactado a administração da SAD, de nunca terem aparecido, ...
- A CMVM demorou quase 10 meses a decretar falta de transparência de duas dessas 3 empresas e a suspender o exercício dos direitos de voto
- Nos últimos dias têm aparecido notícias que dão conta de que o Veiga andou a negociar a venda, entrada de negociadores, ... para a SAD do Estoril na condição de principal accionista com 80% («Estabelecemos contacto entre uma pessoa interessada em tomar conta da SAD e José Veiga, pessoa que detém 80 por cento das acções da SAD, mas não chegaram a acordo», lamenta António Figueiredo em declarações à Rádio TSF.) Notícia amplamente divulgada em vários jornais, rádios, ... e nunca desmentida
Não era hora da CMVM pedir esclarecimentos a esse sr.? Para ele ter 80% onde ficam as empresas inglesas do meio disto? Ou vai demorar (a CMVM) mais 10 meses a detectar que aqui há gato?
Uma não reacção da CMVM só irá ajudar à continua descredibilização a imagem das SAD no mercado e tudo aquilo que se quis construir (a transparência, a entrada de investidores credíveis, ...) com a criação das mesmas, está a ir ao charco.