In O Jogo:
Está em "estudo avançado" a hipótese de criação da FC Porto Social, uma instituição de caridade a gerir pelos dragões com o objectivo de recolher fundos para auxiliar os sem-abrigo. A novidade foi dada ontem por Pinto da Costa durante uma visita à sua associação favorita. (...) A instituição vai chamar-se FC Porto Social e ainda não tem data de nascimento prevista, embora Pinto da Costa fale dela quase como uma certeza. "O nosso propósito é ter uma intervenção activa no auxílio às pessoas sem abrigo, criando receitas e fundos, através de ajudas directas ou das instituições da cidade"
Bem. Nem sei que diga!
As causas sociais são meritórias, são sim senhor. Todos devemos colaborar dentro das nossas possibilidades, devemos sim senhor. Mas agora, o FC Porto criar uma instituição de caridade? Poupem-me.
Relembro aquilo para o qual o FCP foi criado: «principalmente, por fim a educação física dos seus associados pelo estudo e prática de exercícios e jogos adequados ao desenvolvimento e conservação do seu organismo, como sejam: football, gymnástica, esgrima, lawn-ténis, natação, pedestrianismo, remo e quaisquer outros de natureza e vantagem semelhantes.»
Queremos ajudar os mais desfavorecidos? Sim senhor, façamo-lo. Mas dentro das competências do FCP. Se o FCP cumprir a sua missão (promover a prática de desporto), está a contribuir com a sua quota-parte para minorar problemas da sociedade.
Cedamos as nossas instalações para actividades das instituições de caridade já existentes (à semelhança dos jantares de Natal já realizados). Criemos condições para que, por exemplo, a clínica que vai abrir no estádio preste cuidados de saúde a essas instituições a preços condizentes com as possibilidades delas. Criemos pavilhões onde se proceda à prática desportiva e criemos condições para que as camadas desfavorecidas da sociedade possam praticar desporto lá, e se afastem de problemas da droga e companhia. Continuemos a promover a secção de desporto adaptado e arranjemos local para eles praticarem. E por aí fora. Há muito para fazer sem se andar a criar um FC Porto Social.
Os méritos de 'Instituição de Utilidade Pública' e 'Cruz Vermelha de Benemerência', foram concedidos através da prática desportiva (ou de acções daí derivadas) e não é preciso criar nenhuma instituição de caridade para que eles continuem a fazer sentido, basta que a prática desportiva volte a ser o que era.
Já agora, se PdC promovesse o reatar de relações com a Cruz Vermelha, deixasse de ser casmurro e de pôr as suas birras à frente dos interesses dos FCP é que dava um bom passo para a harmonia que o clube deve ter com as várias instituições da cidade e para continuar a justificar alguns dos méritos atribuídos em 112 anos de história.