Balada do Tribunal

Uma letra brilhante do Carlos Tê, que se encaixa na perfeição na realidade actual:

Podia ser um senhor
Que fica a ver futebol
Em frente ao televisor
Faça chuva ou faça sol
Em vez disso vou ao estádio
E deixo o senhor em casa
Levo bandeira e cachecol
E ponho as Antas em brasa
E quando parece mentira
Ver a equipa jogar mal
Toda a bancada suspira
É hora do tribunal

Jogar ou sentir portista
E antes que venha o empate
Ordenar ao trompetista
Para tocar a rebate

Lá no relvado o artista
Não vê a nossa aflição
Não vê que o amor clubista
É o amor de perdição
Qualquer amor se troca
Porque a carne é sempre fraca
Este fica a vida inteira
Nunca se vira a casaca

Jogar bem e perder mal
Este tribunal entende
Acenem com 6 milhões
Este juiz não se vende

Venha o segundo não chega
O dois-zero é uma ilusão
Só o terceiro sossega
O coração do Dragão

Vamos lá, Ó trompetista!
Que a bola está a queimar
Manda o recado ao artista
Abre o livro e vem jogar
Estamos a perder o norte
É hora de recital
Não nos fiemos na sorte
Só a arte é triunfal
Só a arte é triunfal
(Vamos lá carago!)

Assim reza o tribunal

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Ontem, no resumo salvo erro do Real - Olympiakos, foi referido que um determinado jogador de campo jogava com o n.º 1.

Isto fez-me recordar a única memória que tenho do Mundial de 78: o Osvaldo Ardiles, jogador argentino que disputou esse mundial com a camisola n.º 1. Na altura, para um puto de 7 anos que só conhecia a numeração usual de 1 a 11, ver que um jogador de campo podia jogar com o n.º do guarda-redes foi a minha primeira descoberta da força que certa simbologia pode ter.

O bom futebol

Num dia em que se fala muito sobre o que é o bom futebol, para não falar de coisas tristes, apetece relembrar o passado e pensar quando se viu o melhor futebol nas Antas (e Dragão).

E melhor futebol para mim é aliar o espectáculo aos resultados, mas nem sempre nos melhores resultados se deu o melhor espectáculo. Nessa perspectiva, o meu top 5:

  • 2002/2003 - Mourinho - Conquista da Taça UEFA
  • 1984/1985 - Artur Jorge - Conquista do Campeonato (Curiosamente, ou talvez não, esta foi a época do Wrexham)
  • 2003/2004 - Mourinho - Conquista da LC
  • 1996/1997 - António Oliveira - Conquista do Tri
  • Último terço da época 1998/99 - Fernando Santos - Conquista do Penta (Referente à altura do trio de meio-campo Peixe, Deco e Zahovic)

Nas antípodas, ou seja épocas de sucessos desportivos mas sem espectáculo, poria no topo as épocas do fim dos anos 80 / início 90 com o Ivic, Artur Jorge e Carlos Alberto Silva.

Só um coisinha relativamente ao jogo de ontem: falta ronha, falta um gajo que dê porrada (um André, um Paulinho Santos, um Costinha, ...), mas sobre isso mantenho aquilo que já escrevi aqui e aqui, só acrescento que não pode ser o Quaresma a fazer as compensações defensivas nos cantos a nosso favor, em especial quando estamos a ganhar.

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Desde 28-09-1893 que nos orgulhamos.

Eu não fui capaz

O João Nuno Coelho, sintetiza no seu PaixãoFC (aqui e aqui), com réplicas no Terceiro Anel (aqui e aqui), muitas das coisas que têm sido por aqui faladas, por isso a minha concordância é por demais evidente.

Com base nas opiniões expressas ao longo dos tempos pelo JNC, admiro a sua coerência e percebo perfeitamente a sua renúncia ao lugar anual (mas não de sócio).

Também eu deveria ter tido a mesma coerência. Mas não fui capaz.

Não fui capaz, e não sei explicar porquê. Se calhar a resposta está mesmo no conflito aberto entre a razão e a emoção. Cedi à emoção.

Chicotadas II

Só hoje é que dei conta que já houve chicotadas na Betadine.

Para já, a minha previsão bate certa. (fosse o euromilhões assim tão fácil).

Cajuda, prepara-te que és o próximo! :-D

As duas vertentes do rico e do pobre

A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, (...) anuncia que renegociou o acordo de patrocínio com a Portugal Telecom, que agora se estende até 30 de Junho de 2011. Como consequência desta parceria comercial, a F.C.Porto – Futebol, SAD garante, nos próximos 6 anos, proveitos globais fixos de 21,2 milhões de euros que poderão crescer em função da performance desportiva durante a vigência do contrato.  (isto dá 3,53 milhões de euros por ano)

A Samsung Electronics é o novo patrocinador oficial do Chelsea Football Club, num contrato por cinco anos e no valor global de 75 milhões de euros. (15 milhões de euros por ano)

João Campos, treinador de atletismo: "Não acredito que o FC Porto não consiga arranjar 52 mil euros para segurar uma equipa masculina de seniores. Não acredito! É claramente má vontade!".  (52 mil euros = 1,5% das quotas dos associados).

Notícia sobre o basquetebol: "O plantel portista viu sair alguns dos seus jogadores fundamentais, como Ian Stanback, Élvis Évora e sobretudo, Heshimu Evans"

 

Pobres na europa, pobres no clube.

 

Metros de beleza










Autores anónimos (pelo menos para mim)

As inaugurações

Bem, parece que amanhã é dia de inaugurações.

E no Estádio do Dragão não vai faltar uma: A maior loja de electrodomésticos do país.

Não é que estas lojas não sejam interessantes do ponto de vista de complemento do estádio, mas pessoalmente gostava de ver no estádio primeiro garantidos espaços para aquilo que é a função do clube: a prática desportiva e servir os sócios. 

Já nem falo na questão dos pavilhões, ainda ontem o Fernando Gomes falava que iam ser construídos, só faltava definir os prazos. Tendo em atenção que a sua construção já foi aprovada em assembleia geral há quase um ano, estranha-se como se demora tanto tempo a definir prazos, mas adiante.

Falo sobretudo dos espaços para a prática desportiva aos serviço dos sócios, espaços como um healthclub, prática de outras modalidades como as que se particavam nos espaços da antiga arquibancada das Antas (karaté, ginástica de competição e manutenção, haltereofilismo, desporto adaptado, ...). Ou deixámos de ser um clube eclético e vamos fazer jus unicamente ao nome?

Vão ao menos os sócios ter um desconto nas compras na Rádio Popular?

 

Devia existir uma lei que obrigasse a Rádio Popular (e Andorra, ...) a manter aberta a loja da Rua Chã (e os clientes a irem lá comprar). E as referências da baixa continuam a desaparecer.

O ambiente e o trinco

Antes e após o sorteio tinha referido que temia o Rangers, sobretudo pelo ambiente do Ibrox. Infelizmente, confirmou-se. A equipa é fraca, mas num ambiente daqueles ganha outra dimensão.

Para termos um apuramento tranquilo teríamos de ter empatado, assim vai ser mais complicado. Mas completamente ao alcance.

Precisamos de ganhar consistência defensiva, e mais que discutir centrais e laterais, acho que se deve discutir o trinco. Um trinco que feche as laterais, um trinco que ajude os centrais, um trinco que em 1º lugar destrua e só depois pense em contruir, que faça faltas cirúrgicas, que liberte o Lucho/Ibson/Diego para tarefas mais ofensiva. E pessoalmente só vejo um nome: Bosingwa.

Até os comemos!

(imagem desviada, gamada ou o que queiram chamar do Postais Clix)

A segurança e a desinformação

Ontem ao longo do dia, li e ouvi muitos jornalistas, comentadores, ... falarem dos petardos no WC XXI e fundamentalmente da sua entrada no estádio, da revista que não foi efectuada aos espectadores, da falta de segurança, ...

Fazem-se perguntas e afirmações no mais puro estilo alarmista, mas não se vai ao fundo da questão.

A questão nestes casos, não é como ou quando os petardos entraram no estádio. Qualquer pessoa que vá regularmente a um estádio sabe que as revistas são meros pró-formas, que se alguém quiser entrar com algo proibido, que seja de pequena dimensão (como um petardo), o faz com a maior das facilidades. E dificilmente será de outra forma, a não ser que se perca 5 minutos a revistar cada espectador, quase que o obrigando a despir a roupa toda, porque senão é impossível garantir a 100% que nada de proibido entra no estádio. Se os aeroportos com detectores de metais, raios X, ... não o conseguem garantir, nunca será uma mera revista às apalpadelas que o conseguirá. O problema nunca será resolvido por esta via.

A questão neste caso é outra: Existem câmaras de vigilância dentro dos estádios, existem câmaras de TV, nessas câmaras são filmadas pessoas, nessas câmaras são filmadas pessoas a atirar petardos e very-lights tochas (a emissão da SportTV mostrou imagens dessas).

Com base nessas imagens a polícia não tem mais do que identificar essas pessoas e fazer cumprir a legislação. E expôr publicamente essas situações. Mostrar nas TV's que estes senhores atiraram petardos, nós vimos, nós identificámo-los, nós prendemo-los, nós levámo-los a tribunal, eles foram presos x dias, eles estão impedidos de entrar nos estádios durante x anos, eles têm que se apresentar nas esquadras nas horas de jogo.

Só mostrando que estes actos são punidos é que se acaba com eles (ou pelo menos que se reduzem). E as autoridades têm, nos novos estádios, todos os meios tecnológicos para o fazerem. Se não o fazem é porque não querem.

Contra ciclo?

Quando se pensa em grandes transferências de jogadores, é normal pensar-se em transferências de médios e avançados. Assim como é normal pensar que os avançados e médios valem mais que os defesas e guarda-redes.

Se olharmos para o mercado mundial, vemos nas primeiras 10-15 transferências mais caras de sempre: médios e avançados, com duas excepções: Buffon e Rio Ferdinand. Percentualmente temos que 15% são transferências de defesas, 55% de médios e 30% de avançados.

Assim à primeira vista dir-se-ia que quem quer fazer dinheiro no futebol deve vender médios e avançados.

Se calhar pensando dessa forma, a empresa que gere os fundos de jogadores do FC Porto, SCP e Boavista, tinha na última revisão dos respectivos fundos a seguinte distribuição por posição:

Defesa Médio Avançado
FCP 19% 42% 39%
SCP 30% 17% 53%
Boavista 10% 29% 61%

É claro o intuito de ganhar bem mais dinheiro, com médios e avançados do que com defesas (considerando os guarda-redes como defesas)

Mas se pegarmos nos dados das vendas do FCP dos últimos anos, chegamos a alguns dados interessantes:

Temos nos últimos anos um valor bruto de vendas de 137,8 milhões de euros (nestas contas só contabilizei as vendas comunicadas à CMVM, com as vendas não comunicadas (Alenitchev, Rossato, Thiago, C. Alberto e Fabiano) , pelos valores vindos a público, dariam um valor na ordem dos  151,8 milhões de euros).

Fazendo uma separação por posições, temos:

  • Defesas: 72 milhões de euros - 52,2%
  • Médios: 48,8 milhões de euros - 35,4%
  • Avançados: 17 milhões de euros - 12,4%

Comparando estes valores com os apresentados anteriormente, vemos uma clara descrepância, o mercado normalmente compra médios e avançados e nós normalmente vendemos defesas.

Em termos de mercado, uma empresa deve-se posicionar para vender aquilo que o mercado está à espera. Ou aproveitar nichos de mercado. As vendas dos últimos anos podemos dizer que se inseriram mais na área dos nichos de mercado.

Deverá a aposta continuar por aí? Ou devemos vender mais daquilo que o mercado quer comprar?

Estará a SAD a preparar-se para vender mais médios e avançados que defesas? E por isso a estrutura do plantel, nos últimos 2 anos foi fortemente reforçada com médios, n.ºs 10, avançados. Será por isso que a aposta este ano não passou pelo reforço da defesa?

As terras do Tom

não estavam assim, tinham árvores e flores só para ele, onde podia andar descalço, mas já tinham nuvens de tormenta que cobriam todo o céu, e ele tinha de correr para se esconder e não se molhar

Mas ele sonhava em ser feliz.

Mas nem todos podem correr para se esconder, alguns precisam de ajuda.

E não a tiveram. E não podem sonhar em serem felizes.

 

As aventuras de Tom Sawyer (excerto no Cotonete):

Vês passar o barco
Rumando p'ró o sul
Brincando na proa
gostavas de estar

Voa lá no alto
Por cima de ti,
Um grande falcão
És o rei és feliz

E quando tu
Vês o Mississipi
Tu saltas pela ponte
E voas com a mente

Nuvens de tormenta
Que estão por aqui
Cobrem todo o céu
Por cima de ti

Corre agora corre
E te esconderás
Entre aquelas plantas
Ou te molharás

E sonharás
Que és um pirata
Tu sobre uma fragata,
Tu sempre à frente de um bom grupo
De raparigas e rapazes

Tu andas sempre descalço, Tom Sawyer
Junto ao rio a passear, Tom Sawyer
Mil amigos deixarás, aqui, além
Descobrir o mundo, viver aventuras

Tu andas sempre descalço, Tom Sawyer
Junto ao rio a passear, Tom Sawyer
A aventura te dará o que quiseres
Muitas emoções, eternos amores

Árvores e flores, junto de ti
Esse é o teu mundo somente para ti
Podes percorre-lo sempre assim
Corre e sê livre e sonha feliz

E quando tu
Vês o Missisipi (...)

Leandro

E das contratações de Dezembro, fica Ibson.

Não resisto: Como se constata os críticos das contratações da SAD em Dezembro (e da forma como foram feitas) não tinham razão nenhuma para criticar.

Salgueiros a lesar a cidade

É notícia hoje no Mais Futebol o fim da equipa sénior do Salgueiros. Não é que seja muito surpreendente, é o espelho natural de um certo dirigismo do futebol português que já tinha levado, por exemplo, Famalicão, Tirsense e Farense a processo de queda idênticos.

É triste ver assim os vermelhos da invicta, mas isso não pode servir de desculpa para que se cometam atrocidades na cidade e com a cidade.

Os terrenos de Arca d'Água onde o Salgueiros deveria ter construído um estádio, foram cedidos pela Câmara Municipal com esse fim: Construir um estádio.

Ler agora que "Sem dinheiro para pagar as dívidas da gestão de José António Linhares, a Comissão Administrativa pouco ou nada pode fazer a não ser esperar que surja um interessado na compra dos terrenos de Arca D'Água, onde deveria ter nascido o novo estádio, mas que está transformado num lago. A crise económica que se vive em Portugal está a ter consequências também no sector imobiliário e os terrenos ainda não foram vendidos." é um crise de lesa património municipal. Não quero crer que a Câmara ao ceder os terrenos não tenha impedido a sua utilização para outros fins que não a construção do estádio.

O Salgueiros deveria ter duas hipóteses: ou constrói o estádio ou se não tem capacidade para tal devolve os terrenos à autarquia. Agora vendê-los para pagar dívidas a jogadores (e outras) é lesar a cidade do Porto.

Isto sim, é a promiscuidade política-futebol.

Gostava de ouvir a opinião do sr. presidente da câmara sobre isto e qual o enquadramento na frase "O Salgueiros tem contado com a ajuda da Câmara Municipal do Porto e da Junta de Freguesia de Paranhos, que têm feito tudo para nos ajudar a sair desta situação", proferida Carlos Abreu.

Os negócios e os não negócios de última hora

Marek Cech - Nesta altura era mais ou menos óbvia a necessidade de contratar mais um lateral (fosse direito ou esquerdo), era demasiado arriscado ter só um lateral de raiz em cada lado, corria-se o risco de jogar com dois laterais adaptados o que poderia pôr em causa a estabilidade da defesa e da equipa.

Mas fica evidente a má gestão que foi feita em volta da novela Nuno Valente. O ultimato deveria ter sido efectuado com o limite da apresentação da equipa. Tinha-se evitado o empréstimo do Areias e a necessidade de ir agora às compras. (Já sei que o Areias não é grande espingarda, mas para todos os efeitos é jogador do FC Porto)

Benny McCarthy - Um aviso para os empresários? Se assim foi, ainda bem. Já não é sem tempo que se mostra que quem faz a gestão do plantel é a SAD e não empresários. Esperemos é que haja este tratamento para todos os empresários e jogadores (independentemente de terem recusado ou não ir para Moscovo).