Tem sido um tema recorrente por aqui, tentar perceber a política da SAD e a sua orientação. Hoje apareceu mais um dado novo: Antero Henrique é o novo Director Geral de Futebol.
Curiosamente esta semana apareceu também esta notícia: Mourinho também faz contas ao que pode gastar. Que ajuda à discussão do modelo de organização ideal.
A história de sucesso recente do FCP começou com um treinador-manager (Pedroto) aliado a um forte director de futebol (PdC), o presidente (Américo de Sá) pouco riscava e avançou para uma organização presidencialista, em que os treinadores entravam e saiam mas a estrutura de equipa era mantida, o tipo de jogadores contratados seguiam uma filosofia do clube e aos treinadores competia treinar (com uma ou outra sugestão de jogadores). Pelo meio houve uma ou duas mudanças de filosofia como quando deram carta branca a Bobby Robson para contratar e este trouxe Mogrovejo, N'tsunda, Mandla, Baroni, Walter Paz, ... mas voltava tudo à forma/fórmula original (e de sucesso). Era o tempo em que dizia que qualquer treinador era campeão no FC Porto, porque havia toda uma organização que garantia a estabilidade na passagem de testemunhos, não era por mudar um treinador que a filosofia de jogo se alterava nem que mudavam 10 jogadores no plantel.
Com a criação da SAD estas mudanças de filosofia têm sido mais frequentes, ora numa época estamos mais virados para o presidencialismo, ora na época seguinte estamos a contratar consoante o treinador. O resultado disto é que temos uns 60 e tal jogadores sob contrato.
Pessoalmente gostaria de ver no FCP um modelo à inglesa com a existência de um treinador-manager, mas aqui temos um problema: historicamente um treinador não fica no FCP mais que 3 épocas seguidas, ou porque são bons e vão embora (Artur Jorge, Robson, Mourinho) ou porque têm de ir tratar da sogra, dos filhos, ou da selecção da croácia. Por isso não vale a pena sonhar muito com isso.
Mas é certo que a SAD tem de assentar num modelo de organização e que o modelo presidencial está esgotado, restam-nos duas alternativas: - director-geral / desportivo ou andar ao sabor das ondas.
Depois de uma época ao sabor da onda, esta época a orientação da SAD tinha sido claramente para a do director-geral, as contratações foram definidas pela SAD, foram feitas pela SAD, o treinador pouco riscou (já tinha chegado+- a esta conclusão na análise à lista de contratações). A notícia que hoje aparece n' O Jogo é pois a confirmação disto. Nos clubes europeus que seguem este modelo de organização, o director-geral / desportivo é normalmente um ex-futebolista ou treinador, como a dupla Butra/Sacchi no Real, Begaristain no Barça, ... mas a competência não se mede pelo n.º de horas no relvado e a imagem de seriedade e competência que o Antero Henrique transmite, e a que é transmitida por pessoas que com ele lidaram ao longo destes anos, merece que lhe seja dado todo o crédito.
Teoricamente competirá ao director-geral coordenar os departamentos para garantir um modelo de jogo único, que haja coerência nas contratações, aproveitamente das camadas jovens, acompanhamento dos jogadores emprestados, negociação de jogadores (minimizando a utilização de empresários principalmente nas compras), ... Até aqui tudo bem, concordo plenamente com este modelo.
À luz disto, e à semelhança do caso Nuno Valente o que não percebo são as declarações recentes de PdC: "O treinador é que sabe o que pretende. Quando não estamos de acordo com o que o treinador está a fazer temos o direito de o substituir. Não faz sentido é ter um treinador, não o substituir, e não o deixar fazer o que entende. Teve total liberdade para fazer o plantel como terá em Janeiro poder dizer que este ou aquele não lhe interessam.". Isto era voltar a andar ao sabor da onda, espero que tenham sido só declarações de circunstância para encher jornais e que a aposta no modelo do director-geral seja mesmo para levar a sério dando-lhe todas as condições para provar a eficiência do modelo.