Para esta semana está marcada uma greve de professores que poderá afectar os estudantes do 12º ano, não vou aqui discutir o direito à greve, se o ministério tem razão ou não na requisição, se têm os sindicatos, ... tudo isso é irrelevante face aos interesse dos alunos.
Em 1989, no ano em que entrei para a universidade, ocorreu uma situação idêntica, então os exames de acesso eram efectuados nas faculdades (fiz os meus na FEUP nas antiguinhas instalações da Rua dos Bragas), e na altura dos mesmos os professores universitários decidiram fazer greve, como consequência, em cada data marcada lá havia a dita greve, passou Junho, Julho, Agosto, Setembro e só em Outubro é que fiz o último exame. Foi um período de 4-5 meses, em que se estudava, ia-se pró exame e voltava-se para casa, tinha-se acesso ao exame que não tinha sido efectuado, estudava-se aquilo tudo outra vez, ia-se outra vez, vinha-se, ... não é propriamente uma situação aconselhável. Aquelas que deveriam as últimas férias grandes tornaram-se nas piores férias de sempre.
Feito o exame em Outubro, depois sairem os resultados dos exames, sairem os resultados das candidaturas, fazer as matrículas, foi um processo que se arrastou pelos meses seguintes, tendo as aulas começado em Janeiro de 1990, perdendo-se desde logo 3 meses que foram "compensados" por aulas no mês de Julho, e ter aulas em Julho em Braga foi qualquer coisa de indescritível, foi como ter aulas numa sauna.
Não me lembro se os professores conseguiram o queriam, devem ter conseguido, mas tudo graças aos sacrifícios dos alunos, os únicos prejudicados: perderam as suas férias, andaram constantemente a estudar gerando intranquilidade, o ano lectivo foi encurtado, os programas foram dados em menos 2 meses, ...
Uns anos depois passei para o outro lado, não era a profissão que tinha sonhado, mas acabado o estágio numa empresa e tendo detestado o mesmo e a mesma, surgiu a oportunidade de ir dar aulas e lá fui. Entre ir para o grupo de Matemática ou para o de Informática, nem hesitei :-D. Mas impus a mim mesmo quando estivesse farto vinha embora. E a verdade é que 4 anos depois (no dia em passei a efectivo entreguei a carta a abdicar do lugar) e vim embora.
E vim embora por diversos factores, sendo um deles e o principal a minha não identificação com a classe profissional. É bom que se diga que conheci excelentes Professores, pessoas que sabem o que é a sua profissão e que dão tudo por ela (e por consequinte dão tudo pelos alunos). Mas a grande parte é uma cambada de maus profissionais.
As histórias são tantas que dava para escrever um livro, mas desde passar 4/5 horas em conselhos pedagógicos a discutir se se pode ou não fumar na sala de professores, passando por ter sido chamado ao conselho directivo por ter reprovado um aluno num exame com 8 (era a nota absolutamente justa) para o passar ou para lhe baixar a nota, com a justificação de que com uma nota 8 o aluno poderia pedir a revisão do exame e assim ter-se-ia mais trabalho (claro que os mandei à merda). Passando por outros com horários de 12, 15 horas semanais a demorarem semanas a entregar os testes corrigidos aos alunos, passando pelas reuniões de avaliação feitas à pressa e à noite para não serem feitas nas semanas de Natal e Páscoa e assim aumentar as férias dos senhores professores, desde andar nessas reuniões a fazer contas e a subir notas só para não se ter o trabalho de escrever as justificações, ou ter de dar aulas de apoio. E aqui nas aulas de apoio era interessante ver, os professores que tinham trabalhos extras (também davam aulas em colégios particulares) a subirem as notas para não terem de dar aulas extras e isso colidir com as suas actividades extra-escola, e por outro lado havia aqueles que baixavam notas para darem aulas de apoio e assim receberem mais uns cobres em horas extras. O importante não era se os alunos precisavam ou não de apoio, era se dava jeito ou não ao professor dar esse apoio. Isto tudo sem falar no famoso art.º 4, uma coisa que deveria ser usada como um recurso para as emergências, era usado como mais dois dias de folga por mês.
Resumindo, não fiquei minimamente fã da classe, e custa-me ver pessoas cujo lema deve ser servir os alunos se predispõem a prejudicá-los em nome de interesses pessoais. Eu sei que os Professores que conheci hoje, amanhã e nos dias seguintes vão estar lá ao lado dos alunos, os outros são os professores que este país não deveria ter e que não deveria merecer.