Com três letrinhas apenas

Hoje ao ler o título da secção 'Bolsa e Negócios' d' O Jogo ainda pensei que finalmente ia entregar o chupa-chupa que prometi a quem descobrisse os sócios da GSI e onde está sediada. Mas depois de ler a notícia ainda não é desta que o entrego:

Com três letrinhas apenas

Quem é esta "gente nova do futebol" que compra jogadores e os coloca em clubes como FC Porto, Benfica ou Corinthians? Os fundos de investimento como o GSA, GSI e MSI andam na boca de toda a gente - mesmo que sob a forma de desmentidos -, mas na realidade sabe-se muito pouco sobre eles.


Os clubes portugueses e galegos recorrem cada vez mais a misteriosos fundos de investimento. A tentação é óbvia. Apertados por passivos gordos e dificuldades de tesouraria, os clubes batem à porta desta "gente nova do futebol" - a frase é do presidente do Deportivo da Corunha, Augusto César Lendoiro - para reforçar as suas equipas, sem necessidade de correr riscos ou fazer grandes investimentos. Estes fundos escondem-se em paraísos fiscais e num mar de mistério. As operações são pouco transparentes, com os intervenientes a permanecerem invariavelmente na sombra. Os clubes, infelizmente, não parecem muito interessados em esclarecer accionistas e associados. Quem estará por detrás destes GSA, GSI, MSI - fundos de três letrinhas, apenas, mas muitas incógnitas?

Global Soccer Agencies (GSA) - Sociedade registada em Gibraltar, proprietária de metade do passe do novo avançado do FC Porto, Lisandro López. Em 2004, a GSA tentou adquirir uma posição de controlo no clube KSP Polonia, de Varsóvia. A GSA prometeu construir um novo estádio e sanear financeiramente o clube da divisão principal polaca, mas o proprietário, Jan Raniecki, continua renitente. A face visível da GSA, na Polónia, tem sido a do agente israelita Pina Zahavi, parceiro privilegiado do Chelsea de Abramovich. Nas últimas semanas, GSA/Zahavi têm discutido igualmente com Lendoiro a entrada no capital do clube galego e a colocação de jogadores. O processo de aumento de capital do Deportivo, iniciado há mais de um ano, tem sido um fracasso. Lendoiro está disposto a alterar os estatutos do clube de forma a permitir a entrada de grandes investidores estrangeiros (os estatutos prevêem que ninguém poderá deter mais do que 1% do capital). Tal como Luís Filipe Vieira (Benfica) e Fernando Gomes (FC Porto), Lendoiro esteve vários dias em Londres na semana do Chelsea-Barcelona e reuniu-se com Zahavi.

Global Soccer Investments (GSI) - Proprietária do passe de Luís Fabiano, avaliado em 7,5 milhões de euros. Os direitos de inscrição desportiva foram cedidos ao FC Porto, em Agosto passado, mediante o pagamento de 25% daquele passe (1,875 milhões). O comunicado da SAD do FC Porto enviado à CMVM tem apenas seis linhas e não contém qualquer explicação sobre o misterioso parceiro. "Sabemos quem é o director-geral do fundo [GSI], mas não o podemos divulgar", explicou recentemente o administrador da SAD do FC Porto, Fernando Gomes. O agente Jorge Mendes adiantou apenas que o GSI "pertence a estrangeiros".

Media Sports Investments (MSI) - Fundo registado nas Ilhas Virgens britânicas. No final de 2004, passou a controlar o Corinthians através de um contrato de gestão válido por dez anos. Investiu qualquer coisa como 40 milhões de euros no clube de S. Paulo, assegurando a contratação de oito jogadores nos últimos quatro meses. A face visível da MSI no Brasil é Kia Joorabchian, um britânico de origem iraniana. O presidente do Corinthians, Alberto Dualib, confirmou que os grandes promotores do fundo são Boris Berezovsky e Badri Patarkatsishvili, o homem mais rico da Geórgia. Dirigentes do Benfica e do FC Porto têm manifestado uma estranha ignorância relativamente à MSI ("MSI? Desconheço!", afirmou recentemente Luís Filipe Vieira numa entrevista à Sport TV). Foi a mesma MSI, no entanto, que comprou os jogadores Carlos Alberto (FC Porto) e Roger (por quem o Benfica recebeu três milhões de euros) e que se prepara para colocar Anderson na Luz. Na quinta-feira passada, o Ministério Público de S. Paulo confirmou que existem "indícios suficientes à demonstração de que a parceria Corinthians/MSI está sendo utilizada para a prática de lavagem de dinheiro".