Nestas coisas de SAD's há normalmente sempre uma referência: o Man. United, mas embora seja naturalmente um bom exemplo, tem algumas nuances que em Portugal serão sempre difíceis de assegurar, nomeadamente ao nível de assistências a jogos (casas sempre nos 95 a 100%), receitas televisivas e sponsorização. A este nível estaremos mais próximo de campeonatos como, por exemplo, a França, de onde nos últimos anos tem emergido um clube, o Olympique Lyonnais, sobre o qual o jornal O Jogo publicou há dias um artigo interessante:
Uma fera chamada Lyon
As contas referentes ao primeiro semestre da época revelam que os campeões de França respiram saúde. O Lyon poderá afirmar-se, no futuro, como grande potência do futebol europeu
Quando Jean-Michel Aulas se tornou presidente do Olympique Lyonnais (OL), o clube da segunda cidade francesa arrastava-se pela II Divisão e tentava sobreviver com um orçamento de três milhões de euros. Aulas, um empresário ligado à indústria de software, transformou por completo este clube provinciano que vivia sob a sombra do St. Etienne - o clube dos arredores de Lyon que dominou o futebol francês na década de 70.
Depois da vitória na Taça da Liga em 2001, o Lyon conquistou três campeonatos nacionais consecutivos (2002, 2003 e 2004). O tetra está praticamente garantido. Amanhã, o Olympique Lyonnais recebe o PSV na primeira mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões e muita gente (incluindo José Mourinho) considera que a equipa francesa poderá ser a surpresa do ano.
Em termos futebolísticos, o êxito do OL baseia-se numa política de contratações cuidada: jogadores jovens, ambiciosos e trabalhadores, referenciados pelos excelentes olheiros do Lyon em clubes menores de França, África e Brasil (um exemplo: Michael Essien passou pelo Manchester United quando tinha 17 anos e acabou dispensado; o mesmo United prepara-se, agora, para oferecer 22 milhões de euros por este médio do OL nascido no Gana). Nos últimos cinco anos, o Lyon gastou cerca de 80 milhões de euros em jogadores. No Verão passado, o clube investiu mais de 25 milhões em Nilmar, Sylvain Wiltord, Abidal, Cris, Pierre-Alain Frau e Hartock.
O modelo de gestão desenvolvido por Aulas assenta na diversificação de actividades extra-futebol, na identificação do clube com a sua cidade e na exploração, ao máximo, da marca OL. De acordo com as contas semestrais (Julho-Dezembro de 2004) divulgadas na semana passada, o Grupo Olympique Lyonnais respira saúde. As receitas subiram 23,3% relativamente ao mesmo período do ano anterior e atingiram 51,378 milhões de euros, proporcionando um lucro líquido de 2,2 milhões (prejuízo de 3,24 milhões no ano anterior).
Marca OL: dos táxis aos cabeleireiros
Várias subsidiárias do grupo tiveram lucro pela primeira vez no final deste semestre. Estas empresas utilizam (e exploram) a marca OL em ramos inesperados como a restauração, os táxis e cabeleireiros. As receitas de firmas como a OL Merchandising, OL Voyages, OL Organisation, OL Images, OL Restauration et Argenson, por exemplo, cresceram 76% relativamente ao primeiro semestre da época anterior e proporcionaram proveitos globais que ultrapassaram os dez milhões de euros.
O estádio de Guerland (cedido de forma generosa pela autarquia) teve uma taxa de ocupação superior a 95%. Na primeira metade da época, o estádio registou dez lotações esgotadas e o número total de espectadores quase atingiu um milhão. Nas próximas semanas, o clube vai anunciar mais pormenores sobre o canal privado de televisão que a OL Images passará a disponibilizar através de satélite, ADSL, cabo, Internet ou telemóveis 3G.
As perspectivas para o futuro do Grupo OL são optimistas. Nos últimos anos, o clube estabeleceu-se definitivamente como grande potência a nível nacional. Na sequência do contrato milionário que a liga francesa negociou com o Canal Plus - 600 milhões por ano, a partir da próxima época - os clubes franceses vão passar a contar com receitas adicionais. O Lyon deixará, certamente, de ceder à tentação de vender os seus Essiens e poderá afirmar-se, finalmente, na Europa do futebol.