Finalmente

O andebol ganhou um jogo!

Já não era sem tempo.

Os vermelhos do Porto

Neste fim de semana em que temos um congresso de vermelhos, li no JN uma crónica do Álvaro Faria sobre outros vermelhos na qual me revejo inteiramente:

Também sou do tempo do velhinho campo eng.º Vidal Pinheiro. Um pelado místico (e mítico), sobre o qual evoluíram gerações de jogadores que transportavam para dentro das quatro linhas a verdadeira alma salgueirista. Naquelas bancadas de madeira, aprendi a ver o outro lado do futebol de rua. Naquele pelado, aprendi a jogar o futebol de rua. Naquele espaço desportivo, aprendi a respeitar um clube que, por muitas facadas que lhe dessem no corpo, mantinha viva a alma. O velho Salgueiral fazia-se respeitar e era respeitado por tudo e por (quase) todos. Era um clube muitas vezes gerido por gente nobre e que lutava pelos ideais da Democracia; um clube quantas vezes ostracizado pelos poderes, como se viu em casos recentes. (...) Uma dor de alma, esta crise profunda de um emblema da cidade do Porto e do País. O Salgueiros perdeu praticamente todo o seu corpo, o seu edifício desportivo. Mas não pode (nem deve) perder a alma!

A paradinha

Como é possível vir um árbitro a Portugal ao estádio do clube do império e mandar o Simãozinho repetir um penaltie, só porque fez aquilo que faz sempre: a paradinha?

Custos decorrentes de operações

Diz o relatório:

As mais valias com transferências foram consequência das vendas dos direitos desportivo dos jogadores Deco para o Barcelona por 21 milhões de euros, Paulo Ferreira para o Chelsea por 20 milhões de euros e Ricardo Carvalho, também para o Chelsea por 30 milhões de euros. A estes valores deduz-se os custos decorrentes da concretização destas operações bem como o valor residual contabilístico. Em todos os casos a F.C.Porto, SAD não detinha cem por cento dos respectivos direitos, fruto de parcerias estabelecidas com grupos de investidores como por exemplo a FP Football Players Fund.

Vamos lá então fazer contas 21 + 20 + 30 = 71 milhões

Com diz o relatório a SAD não tinha 100% dos respectivos passes, mas sim 80% uma vez que o Fundo de Jogadores tinha 15% do Ricardo Carvalho e do Paulo Ferreira e 5% do Deco, e o empresário dos jogadores (por acaso é o mesmo dos três Jorge Mendes) tinha 5% do Ricardo Carvalho e do Paulo Ferreira e 15% do Deco.

Assim o Fundo de jogadores ficou com 21*5% + 20*15% + 30*15% = 8,55 milhões

E o Jorge Mendes com 21*15% + 20*5% + 30*5% = 5,65 milhões

Então a SAD ficaria no final com 71 - 8.55 - 5,65 = 56,80 milhões

Porém o relatório diz que se deduzem os custos decorrentes da concretização, e que no final a SAD diz que ficou com 46,044 milhões

Ou seja, pondo outra vez a máquina de calcular a funcionar 56,80 - 46,044 = 10,756. Ou seja de custos das operações (seja lá isto o que for) pagaram-se quase 11 milhões de euros (15% do valor de venda, 19% dos 80% da SAD).

11 milhões de euros não mereciam uma menção no relatório para explicar para onde foram? que gastos decorrentes da concretização são esses? são comissões a empresários? são viagens e hotéis? ou pagou-se a ancoragem dos barcos do Abramovich em Leixões?

Del Neri

Parece que afinal se vai pagar uma indemnização ao italiano e companheiros (800 mil euros)

Conhecendo a argumentação para a cessação do contrato, é incompreensível a cedência da SAD.

Não conhecendo que tipo de pressão a FIFA terá efectuado, pode ser compreensível a cedência da SAD.

Mas tendo como verdadeiros os números apresentados em O Jogo:

"O quarteto italiano tinha vínculo para três épocas, por cada uma das quais o técnico principal receberia 1,05 milhões de euros líquidos e os subalternos 150 mil euros. A esses números seria ainda necessário somar os prémios, por jogo e por objectivos."

Como diria um ex-primeiro, é só fazer contas e vemos que o homem representava um encargo mensal de cerca de 215 mil euros. Até arrepia!

Prémios de participação

Os montantes relativos aos prémios de participação na Supertaça Europeia (1.307.617 Euros), na Liga dos Campeões 2004/2005 (3.595.946 Euros) e na Taça Intercontinental (2.942.138 Euros) já foram contabilizados em 2003/2004.

Juntando o facto das transferências do Deco, P. Ferreira e R. Carvalho também já o terem sido, ou amanhã (e depois com o Chelsea) se opera um milagre ou as contas deste semestre vão ser pior que negras.

O custo dos emprestados

O relatório e contas 2003/2004 reflecte um valor de 2.100.000 euros resultante do empréstimo de jogadores (As receitas obtidas com o empréstimo de jogadores comprova a sua qualidade, uma vez que apesar de não terem lugar no plantel do F.C.Porto são desejados por outras equipas, nacionais e estrangeiras.)

Continuando a ler o relatório encontramos uma rubrica "Custos associados a abates de "passes" de jogadores que respeita às perdas estimadas no valor de realização do valor líquido contabilístico dos direitos de inscrição desportiva de jogadores que à data da preparação das demonstrações financeiras se encontram emprestados até ao término do respectivo período do contrato ou que rescindiram contratualmente. O valor dessa rubrica é de 5.009.315 euros

Resulta disto que, não contabilizando salários ou parte de salários pagos a esses jogadores (os dados presentes no relatório não dão para saber esta informação), eles deram um prejuízo de aproximadamente 2,9 milhões de euros.

Operações após 30 de Junho

Uma das minhas dúvidas na apresentação dos primeiros números era o porquê e a justificação de terem sido incluídas no relatório de contas de 2003/2004, cujo exercício terminou a 30 de Junho de 2004, operações efectuadas após essa data, nomeadamente as transferências de Deco (6 de Julho) e Ricardo Carvalho (27 de Julho).

Relativamente ao Deco nada é dito no relatório, ficando sem explicação a sua inclusão no relatório. O que nos permite algumas especulações, nomeadamente a de que o Deco já estava vendido antes do fim de Junho, mas tal não foi imediatamente comunicado à CMVM.

Já quanto ao Ricardo Carvalho, temos uma explicação:

a transferência definitiva dos direitos de inscrição desportiva apenas ocorreu em 26 de Julho com a celebração de um acordo junto do Chelsea Football Club Limited, conforme difundido ao mercado em 27 de Julho. Contudo, a FCPorto, SAD considera, para efeitos de reconhecimento contabilístico do rédito e dos competentes gastos associados à transferência deste jogador, a data de 22 de Junho de 2004 em virtude de ter celebrado nesta data um acordo com entidade terceira que no entendimento da sociedade (confirmado pela CMVM que analisou este acordo) garantiu a cedência, em termos substanciais, dos riscos e benefícios dos direitos económicos inerentes àquele jogador, mesmo se posteriormente a cedência dos direitos de inscrição desportiva não se viesse a concretizar.

Ou seja, resumindo e concluindo o Ricardo Carvalho estava "vendido" desde 22 de Junho. O que comprova a necessidade urgente que a SAD tinha na sua venda para apresentar um exercício lucrativo e nomeadamente livrar Pinto da Costa do ridículo que era ter problemas com o artigo 35º após as bocas enviadas ao Sporting / Dias da Cunha quando numa entrevista a O JOGO disse que se demitiria caso tivesse de recorrer a uma redução do capital social para ultrapassar a barreira do famoso artigo 35 do Código das Sociedades Comerciais.

As contas da SAD

Agora que a SAD já submeteu o relatório e contas relativo a 2003/2004 à CMVM já dá para fazer uns comentários de leigo sobre os números apresentados, considerados fantásticos por muitos, mas aos quais pessoalmente ponho algumas interrogações e gostava de perceber o porquê de determinadas decisões.

As análises que vão aparecer por aqui nos próximos tempos não são análises à luz das normas contabilísticas, economistas ou coisa que valha, são meras análises a dados e números de um interessado em perceber para onde caminhamos. 

Para começar nada melhor que deixar aqui uma frase de Pinto da Costa na sua mensagem que abre o Relatório e Contas:

"O mercado de atletas é cada vez mais exigente e hostil. Os investimentos não podem falhar, as escolhas devem ser criteriosas e competentes. Cada emblema deve viver dentro das suas reais possibilidades, sem cometer devaneios nefastos para o futuro."

Concordo 100% com a frase, não acho que esteja a ser cumprida por quem a escreveu.

As substituições

A estatística aplicada ao futebol vale o que vale, não marca golos, mas muitas vezes ajuda a explicar muita coisa.

Vem isto a propósito das substituições operadas pelo Victor Fernandez. Em 18 jogos oficiais temos já dados suficientes para retirar algumas estatísticas:

  • Só por 2 vezes não procedeu às 3 substituições;
  • Só por 3 vezes fez substituições em simultâneo;
  • Tirando os jogos em que fez substituições por lesão, nunca procedeu a substituições na primeira parte e só por uma vez no início da segunda parte;
  • A 1ª substituição acontece à volta do minuto 59, sendo que no intervalo entre o minuto 55 a 65 são operadas 80% das 1ªs substituições;
  • A 2ª substituição acontece à volta do minuto 68, sendo que no intervalo entre o minuto 65 e 75 são operadas 67% das 2ªs substituições; Dos 33% restantes, metade (ou seja 16%) foram segundas subsituições em jogos com lesionados na primeira parte, em que a 2ª substituição se procedeu no intervalo dos 55 aos 65 (reforçando o valor da 1ª alteração táctica neste período do jogo)
  • A 3ª substituição acontece à volta do minuto 78, sendo que só por uma vez fez a última substituição antes do período do último quarto de hora (aos 64 minutos);

Estes números só realçam aquilo que para mim é o Victor Fernandez no banco: conservador, arrisca pouco, faz as substituições sempre nas mesmas alturas do jogo, não surpreende o adversário.

Ou seja, o Fernando Santos versão espanhola.

E as semelhanças continuam

1998/99 - Treinador Fernando Santos - 18 de Outubro - 7.a jornada - Primeira derrota em casa - FC Porto 0 - Boavista 2

2004/05 - Treinador Victor Fernandez - 20 de Novembro - 11.a jornada - Primeira derrota em casa - FC Porto 0 - Boavista 1

O gordo dono da bola

Na ressaca do caso Marcelo vem o ministro da propaganda dizer que as conclusões da Alta Autoridade têm "falta de credibilidade" e diz que as conclusões da AACS "reforçam a urgência de constituir uma nova entidade reguladora para a comunicação social", que quer ver criada até ao final do ano. (in Público)

Só me faz lembrar aquela figura do gordo que não tinha o mínimo jeito para jogar à bola, mas como a bola era dele lá tínhamos de lhe arranjar um lugar na equipa (normalmente era na baliza), mas que ao mínimo contratempo amuava (sofria um golo ou uma falta não assinalada), ameaçava pegar na bola e ir para casa. Se queríamos continuar a jogar lá tinhamos de dizer que, sim senhor tinha sido falta e que era penaltie, que obviamente o gordo marcava nem que o guarda-redes tivesse que dar um grande frango.

Triste País este, que é governado por esta gente.

Leandro

Afinal parece que vem este tal de Leandro.

Havia muito a dizer, mas não vale a pena estar a bater no ceguinho (ou seja, SAD). Com 25 anos a caminho dos 26, um contrato de 5 anos e meio e a custar 2 milhões de euros, só espero que seja mesmo craque e que nem dê tempo para que o pessoal se lembre da catrafada de dinheiro gasto nos últimos anos em defesas-esquerdos.

Passeio da Fama

Segundo o Mais Futebol o passeio da fama conta já com 36 lápides.

Estranho (ou talvez não) o facto de o Fernando Gomes continuar esquecido.

Por muito que admire Pinto da Costa, não gosto de ver reflectidas no clube as suas zangas pessoais. Os homens passam e a instituição permanece, e sendo Pinto da Costa ou outro qualquer a presidir à instituição de utilidade pública FCP, esta deve estar agradecida a Fernando Gomes. E homenageá-lo tal como se fez (e bem) com as outras figuras.

 

1 Ano de Dragão

Estava uma ventania fdp, o bilhete tinha sido um balúrdio (mas como dava direito a um azulejo :-D ), depois de uma tarde a ver a Praça da Alegria lá me meti no carro e destino: Estádio do Dragão.

O que achei do Estádio na altura está numa crónica no Portal dos Dragões.

Um ano depois:

  • Tivemos direito a uma relva nova (ainda lhe falta um último teste num daqueles dias em que chove a potes, mas não parece tão boa como a das Antas);
  • Continuo a achar que entre as bancadas e o relvado devia existir uma elevação de uns 2 metros (à semelhança do Arena de Amsterdão), melhorava em muito a capacidade de análise do jogo (especialmente na minha bancada). Embora já esteja mais habituado a ver o jogo de uma posição mais baixa;
  • Os acessos estão incomparavelmente superiores aos das Antas;
  • Nunca mais usei os bares, mas apareceram uns caixotes de lixo para o pessoal pôr os pacotes das pipocas, pizzas e companhias; Pelo menos já não é a lixeira que foi na inauguração. Mas não fazia mal nenhum se alguém varresse as escadarias um vez por mês;
  • Continua a falta de civismo com o pessoal a não respeitar entradas e saídas das casas de banho;
  • A minha taxa de assistência está nos 100% (aos jogos do FC Porto) :-D e derrotas nem vê-las. Que continue assim por muitos e bons anos.

Mas agora que passou um ano, quando chegam as novas valências? O museu, clínica, healthclub, restaurante, ...?

Falta 1 dia

para que se complete 1 ano (366 dias) desde que esta caixa

espera ansiosamente pela companhia.

Quaresma

Chamam-lhe Harry Potter, gostam muito dos seus repentismos, fazem-lhe elogios e cada vez que faz um golo lá levo com a sacramental pergunta: "Então! Ainda achas que é um bluff?"

Sinceramente faço votos que ele me faça engolir estas minhas palavras, mas ainda não consigo olhar para o Quaresma como um grande jogador,  como um jogador que justifique um investimento de 6 milhões, como um fora de série.

É sem dúvida um predestinado, as suas fintas são estonteantes, às vezes justifica o pagamento do bilhete só para o ver fazer uma finta, mas o futebol não é um desporto individual, se o fosse não tinha a mínima dúvida em dizer que ia ser um fora de série.

Para um desporto colectivo além de uma natural vocação são necessários outros predicados: o pensamento na equipa, a capacidade de lutar, o cumprimento de tarefas defensivas, a garra, o espírito de sacrifício, ... é nestes pontos que o Quaresma ainda não me convenceu e é aqui que se vê a diferença entre um dotado e um fora de série (ver exemplo do Deco).

A bola está do lado do Quaresma. Só tem que me convencer, cá estarei para dar o braço a torcer.

Os últimos

Hoje, no JN, o cronista habitual dos domingos o escritor Álvaro Magalhães concentra a sua crónica na relação sócios, adeptos, lugares anuais, accionistas, SAD e patrocinadores.

Vale a pena fazer aqui o copy-paste:

Quando cheguei ao Estádio do Dragão, onde assisti ao F.C. Porto-Paris St. Germain, estranhei encontrar um anúncio da cerveja Carlsberg no meu lugar cativo. Como se já não bastasse estar a meio da bancada Vodafone a olhar para a equipa da camisola Revigrés.

Porém, não era esse o problema. O lugar já não me pertencia, explicaram-me os companheiros de desgraça. Tinha sido, tal como outros em volta, disponibilizado pelo clube para os convidados dos patrocinadores da Liga dos Campeões, apesar de ter sido comprado quando o estádio ainda era um esboço de cimento e estar pago até ao final da época. Os stewards encaminhavam-nos para um recanto esconso perto de um topo, lembrando que o director-geral da SAD já nos tinha enviado uma carta a avisar da mudança. Era verdade, mas eu não abrira a minha, convencido de que estavam outra vez a tentar vender-me seguros ou apartamentos.

Naturalmente, houve renitência, discussão. Faz parte da nossa natureza criar apego a um lugar, mesmo que ele não passe de uma cadeira de plástico. No auge da confusão, ocorreu-me então que estava perante um acontecimento exemplar, definidor de um tempo em que velhos adeptos valem menos do que ocasionais convidados de patrocinadores. Veja-se o modo como foram distribuídos os bilhetes para as duas finais europeias, com o bolo a ser oferecido aos parceiros comerciais enquanto os adeptos disputavam as migalhas entre si, de modo degradante. Já aí, em Sevilha e Gelsenkirschen, havia frívolos convidados de patrocinadores a ocupar o lugar de fiéis adeptos.

Em tempos que já lá vão, os clubes eram dos seus associados, ou seja, de quem os amava. Agora, são de quem os patrocina ou se disponha a comprá-los. Foi a isto que nos levou a alucinada mercantilização do futebol, a qual destruiu a natureza e as conotações simbólicas dos clubes. E até Joseph Blatter, depois de a FIFA ter acalentado o monstro, tornando-se ela própria numa agência internacional de negócios, se veio agora queixar. É que o monstro já não ameaça só os alicerces míticos do jogo, é todo um edifício que pode desmoronar-se.

O que vemos nós por aí? Clubes falidos, outros à venda ou a naufragar em passivos galácticos e outros ainda que nascem já como empresas, sem adeptos, como o Algarve United. Num mundo assim, quanto vale a imaculada camisola do Barcelona, sem publicidade, memória gloriosa do velho futebol? Só o futuro dirá quanto terão eles ganho ao não vender por dinheiro nenhum o símbolo máximo do clube.

Quanto aos pobres adeptos, esvaziados de concreção e substância, têm cada vez mais uma configuração folclórica, residual. Transformados em consumidores que também se consomem na combustão comercial, são hoje meros clientes que os clubes tratam com hipócrita deferência mas sem verdadeiro respeito. Porém, e por mais que lhe vendam a nova realidade das SAD, eles não conseguem associá-la aos seus afectos e sentem-se enganados por verem dominar a razão mercantil, que é pagã, sobre o respeito pelo símbolo, que é sagrado. Daí o desconforto de sentirem que todos os dias perdem qualquer coisa mais importante do que um lugar central no estádio.

Mas será que todos os adeptos foram submetidos? Nem pensar. No topo sul do estádio há um grupo de irredutíveis cujo amor não se despedaça contra a muralha tecnocrata. Aí, no seu reduto próprio, de que ninguém ousa dispor, os Superdragões impõem a sua vibrante natureza de adeptos insubmissos. Porém, eles não se limitam a agir durante os jogos, onde nos fazem ouvir até o seu silêncio, também invadem os treinos para oferecer o seu ponto de vista sobre as coisas, negoceiam com os dirigentes as suas quotas de bilhetes e o resto, insultam e ameaçam os jogadores que não deixam a pele em campo.

Podemos criticar os seus excessos, os quais, aliás, têm mais de provocação simbólica do que verdadeira ameaça, mas é preciso reconhecer que são os guardiões de poderes irremediavelmente perdidos. Olhem bem para eles porque são o que resta de uma velha categoria em extinção. Eles são os últimos adeptos.

Faltam 2 dias

Faltam 3 dias

Faltam 4 dias

Adriano

Dizem os jornais que o FC Porto está interessado num tal de Adriano, 20 anos, defesa-esquerdo que também pode ser defesa-direito.

Caso a contratação se concretize é mais um acto incompreensível de gestão da SAD, a juntar aos muitos que já foram feitos este ano e de que já tenho vindo a falar aqui.

Mas agora interessa falar nas burrices e contradições do empresário do jogador, diz o artista (citado pelo Mais Futebol):

«Também há o interesse do F.C. Porto, mas ainda não recebemos nenhuma posição oficial do clube. Queríamos que falassem connosco, porque nós representamos o Adriano»

Primeiro, se não receberam uma posição oficial do clube como é que há interesse?

garantindo que tem uma proposta em carteira de um clube «que oferece 600/650 mil euros por época», um valor «superior ao oferecido pelo F.C. Porto, na ordem dos 400 mil euros por temporada e com um contrato de cinco anos».

Segundo, se não receberam uma posição oficial do clube como é que sabe que é oferecido um contrato de 5 anos e 400 mil euros por época?

Às vezes dá pena estes artistas que andam à volta do futebol não terem um bocadinho de massa cinzenta.

E há meia dúzia de anos estas palavras eram o suficiente para o Pinto da Costa desistir de um possível negócio.

Tenho sido injusto

Quero aqui publicamente deixar expresso o meu arrependimento pelas críticas que ao longo dos tempos fui fazendo ao Ricardo.

Um guarda-redes que quando vem às Antas / Dragão leva desde 2000 os seguintes resultados para casa: 4-0, 4-1, 1-0, 4-1 e 3-0. Numa bela média de 3,2 golos por jogo, só merece os meus agradecimentos.

Ricardo, que Deus te dê saúde e muitos anos de vida.

Benfiquismo

Brilhante definição no Douro Azul:

"Há no 'benfiquismo' uma certa característica, infelizmente pouco abonatória, de certos comportamentos que caracterizam o que existe de pior na sociedade portuguesa. Eu sei, eu sei, que entre os seus adeptos há bons e maus, há os que são honestos e os vigaristas, há os pacifistas cordatos e os violentos, agressivos e destrambelhados, há de tudo um pouco, afinal, como noutros clubes, a começar pelo meu. No entanto, quanto a mim, existem algumas referências que, na generalidade, atravessam o colectivo dos adeptos, sejam eles cultos ou iletrados, ricos ou pobres, fundamentalistas fanáticos ou não, e aparecem como 'marca da casa', o seu verdadeiro 'ex-libris', (não, não é a famigerada divisa recuperada dos mosqueteiros !): são, por natureza, habituais destorcedores dos factos (e da mais comezinha realidade), os quais apresentam sempre à medida das suas conveniências e dos seus interesses; são presunçosos e arrogantes, sem uma centelha de humildade, incapazes de reconhecer o mérito alheio, mesmo quando ele é por demais evidente; são invejosos e mesquinhos, destilando ódio e grosseria (fiquei chocado com os comentários inseridos por alguns lampiões no blog de 'O Dragão', elucidativos, afinal, da maneira de estar desses energúmenos); são idólatras e passadistas que, à falta de presente, se entretêm a relembrar e a glorificar o passado e os seus ídolos, como se de um espaço mítico se tratasse; e sobretudo, oh sobretudo, para além de arruaceiros, são uns provocadores inveterados em que o orgulho e a vaidade se entrelaçam com a ignorância, os chavões de sobrevivência e a má-fé. Tudo suportado por uma abjecta campanha da comunicação social que os protege e acirra. É assim o 'benfiquismo'. São assim os 'benfiquistas'. Não gosto deles."

Está tudo dito.

Também não gosto deles.

6 segundos

Na Lei 12 - Faltas e Comportamento Antideportivo, está lá:

"Um pontapé-livre indirecto será concedido à equipa adversária do guarda-redes que, encontrando-se na sua própria área de grande penalidade, comete uma das quatro faltas seguintes:

  • manter a bola em seu poder durante mais de seis segundos antes de a soltar das mãos.
  • ..."

Reforçada pela decisão 2 do Internacional F.A. Board, relativa à Lei 12:

O guarda-redes está de posse da bola quando a detém nas suas mãos ou braços. Está igualmente de posse da bola quando a faz ressaltar nas mãos ou nos braços. Pelo contrário, não está de posse da bola quando, no entender do árbitro, a bola toca acidentalmente no guarda-redes, por exemplo depois de uma defesa. O guarda-redes é considerado como culpado de perda de tempo se ele detém a bola nas suas mãos mais de 6 segundos.

Como se não bastasse a FIFA ainda acrescentou umas instruções suplementares para árbitros, árbitros assistentes e quartos árbitros, onde se lê:

Infracções do Guarda-Redes
Recorda-se aos árbitros que o guarda-redes não está autorizado a manter a bola nas mãos por mais de seis segundos. Esta infracção será punida com um pontapé-livre indirecto.

Hoje dei-me ao trabalho de cronometrar os tempos de posse de bola dos guarda-redes no Ben7ica - Setúbal, cronometrei 13 posses de bola (houve mais, mas a realização da TV não deu oportunidade de ver a altura em que os guarda-redes se libertaram da bola, por isso essas posses de bola não foram contabilizadas), em 5 delas (38,46%) os guarda-redes tiveram a posse de bola mais de 6 segundos. Essas posses de bola foram de 7,6 - 8,9 - 10,0 - 13,0 e 14,2 segundos. Escusado será dizer que não foi marcado nenhum livre indirecto.

É certo e verdade que os árbitros não têm um cronómetro com eles, mas 9, 10, 13 ou 14 segundos são diferenças grandes de mais para não se notar.

Porque raio os árbitros nunca marcam estas faltas? Não sabem as leis do futebol? Ou não sabem contar?

Perguntar não ofende

Mais dia menos dia ia falar aqui do Nuno Valente e respectiva lesão, mas o Douro Azul antecipou-se. Assim, o melhor é fazer eco das suas questões:

Há quanto tempo temos o Nuno Valente de baixa?
Lesionou-se ao serviço de quem?
Quem está a pagar os salários de um jogador com quem o clube não pode contar?
Quem indemniza o clube?

Futuro que era brilhante!

Futuro que era brilhante
Embaciou-se a pouco e pouco
Os passos ficaram lentos
Dando certezas de louco
(Xutos & Pontapés)

Esta música dos Xutos sempre me trouxe à memória o Quinito, era tido como um brilhante jogador, sucessor do Oliveira, grande esperança Portista, mas nunca passou disso, de degrau em degrau lá foi descendo até acabar no Lamego (o último clube onde sei que esteve).

E quem fala no Quinito pode falar em muitos mais, mas hoje lembrei-me disto ao tomar conhecimento que o Rui Óscar e o Ricardo Silva estavam a treinar com o plantel do Rio Tinto da terceira divisão para manter a forma, enquanto não arranjam clube.

Há coisas no futebol que não se percebem, mas se calhar também não vale a pena tentar percebê-las.

As claques

Esta história dos SuperDragões com os jogadores durante a viagem da Madeira fez-me lembrar uma história que o Maradona relata no seu livro 'Eu sou El Diego", para quem não a leu aqui fica a parte mais significativa:

E as coisas continuavam na mesma. Mais um triunfo sobre o Newell's e, então... quatro empates de seguida. Inclusive com o River no Monumental, com outro golo meu, outra vez a deixar o "Pato" Fillol e o Conejo Tarantini de gatas, mas... quatro empates! Para o Boca, para aquele Boca, era de mais.  Foi então que a Barra (A Barra Brava. Grupos organizados de adeptos muito violentos, do tipo dos Holligans) tomou "La Candela" de assalto, ali mesmo em San Justo.

Eu estava à espera na fila para usar o telefone. Queria ligar à Claudia. O "Mono" Perotti não desligava. O telefone estava numa pequena sala, mesmo à entrada...

"Embora, 'Mono', a puta que te pariu, há duas horas que estás a falar!" disse-lhe. E o "Mono" sentado, com as pernas para cima, respondia-me: "Calma, Maradona, calma!"

Vejo então um tipo que lhe atira as pernas para o chão com violência.

"Alto lá! Vais magoá-lo!", gritei e quando olho para ver quem era o gajo, vejo um tipo enorme, que me diz: "Tá calado, pá!"

Eu não me acobardei:

"O que é que estás a dizer, pá? Eu estou na minha casa ..."

O tipo mudou de tom:

"Não, não, Dieguito, fica tranquilo... isto não é contigo."

Quando olho em volta, vejo cerca de duas mil pessoas na salinha de pingue-pongue. Era a Barra Brava: entravam em todos os quartos, o José Barrita - El Abuelo" (Líder conhecido dos Barra Bravas) ... estavam todos! Vi revólveres, revólveres de verdade. Olhei pela janela e vi que no parque de estacionamento havia uns dez carros; eram todos deles. Queriam bater no Tano Pernía, no russo Riboldi, no Pancho Sá... Eu não queria acreditar. E diziam:

"Rapazes, não levem a mal, mas os adeptos estão furiosos e nós viemos avisar-vos. Se não ganharem o campeonato, a fúria não terá controlo. Viemos avisar-vos, mais nada ..."

"Não, rapazes, esperem...", disse eu, e "El Abuelo" respondeu-me:

"Não, tu não te metas nisto, que a coisa não é contigo..."

Mas não podia continuar assim, eu não suportava a situação.

"Não será comigo, mas isto não ajuda ninguém. Vir aqui e pressionar-nos desta maneira, para quê? Amanhã, não joga ninguém. Pelo menos, eu não jogo."

E "El Abuelo" insistia:

"Olha, Diego, os jornais dizem que alguns destes gajos não te passam a bola, que não querem correr, assim diz-nos quem são os que estão a lixar e nós tratamos disso. Se não correm, limpamos o sebo a todos."

Uma loucura! Está bem, eu era a estrela, tudo o quiserem imaginar, as pessoas adoravam-me... mas estavam todos doidos! E o Sílvio que nunca mais chegava!:.. Estava escondido. Quando chegou, enfreitei-o e disse-lhe:

"Assim, esta equipa não pode jogar."

"El Abuelo" falou outra vez:

"Está bem, está bem, joguem... mas é melhor para vocês que corram porque, de contrário, vamos rebentá-los a todos."

"Como é que nos vão matar se não corrermos, pá? Ouve lá..."

"Puto, contigo não... tu vais ser o capitão, tu és o nosso representante, tu quiseste vir para o Boca."

Eu só tinha 20 anos e enfrentei os caceteiros do Boca. Fiz frente ao "Abuelo". Naquel dia, ganhei respeito de todos, dos mais velhos, de todos. Porque não me conheciam a mim. Só conheciam o Maradona que jogava à bola, mas ali perceberam que também podia defendê-los fora do campo.

No dia seguinte, 19 de Julho, fui capitão da equipa e ganhámos ao Estudiantes por 1 a 0, com outro golo do Perroti. Foi uma coisa de doidos... Aquele grupo de comandos que atacou "La Candela" conseguiu armar-nos como equipa, porque a partir daquele momento fomos outra coisa. Vínhamos de empatar quatro jogos seguidos, o Ferro aproximava-se e seria o fim da macacada. Mas safámo-nos.

Nunca esquecerei o que aconteceu naquele dia, juro por Deus, e assim o pode testemunhar qualquer jogador daquele Boca de 1981. O "Pantera" Rodríguez estava pálido, o pequeno Quiroz começou a chorar e disse-me: "Julguei que nos iam matar a todos, Diego, obrigado." Qual obrigado nem meio obrigado. Eu estava tão acagaçado que nem queria acreditar... Mas alguma coisa tinha de dizer. Eles queriam controlar-me com aquela "tu vais ser capitão, tu és o nosso representante, tu quiseste vir para o Boca". O "Abuelo" percebeu que tinha feito merda. Se a polícia tivesse chegado naquele momento, era o tiroteiro.

Entrevista de Fernando Gomes

O administrador da SAD, Fernando Gomes, deu uma entrevista à TSF em que faz algumas considerações interessantes.

Para quem está de fora, concordo com a maioria das teses defendidas na entrevista, mas vejo algumas incoerência entre estas teorias e a prática.

Mas há um ponto que não acredito na sua concretização e que pode trazer graves consequências, dizer que o objectivo é manter as receitas normais perto dos 25 milhões de euros, que tivemos este ano ao ganhar a Liga dos Campeões acho que é esticar demais a corda.

Isto consegue-se num ano, em dois é difícil, mas fazer disso a norma acho que é sonhar muito alto.