Banda larga e ministro hipócrita

Ainda no DN:

Actualmente, a cobertura do País em termos de acesso rápido às auto-estradas da informação é, assinala o presidente da UMIC, deficiente para 70 por cento da população. Mas, ainda assim, os progressos têm sido significativos. Em 2002, menos de dois por cento da população tinham Internet de banda larga em casa. Em 2003, esse valor já tinha subido para perto dos dez por cento. No final do próximo ano, o Governo espera que metade dos lares tenha acesso rápido à Internet, considerado «o melhor instrumento para as populações mais prejudicadas pelos afastamento dos centros de decisão de ultrapassar essas barreiras».

O Orçamento do Estado de 2005 conta com 390 milhões de euros para promover em Portugal a Sociedade de Informação. Um aumento de 30 milhões em relação a este ano que deverá concorrer para tornar uma realidade o objectivo que o próprio ministro Morais Sarmento reconhece como sendo ambicioso: o de fazer chegar a Internet de banda larga a 50 por cento das famílias portuguesas.

Isto foi dito num workshop promovido pela OCDE no Porto sobre banda-larga. E o mínimo que se pode dizer é que isto é a hipócrisia política ao mais alto nível. É preciso botar faladura? A gente manda um ministro, este diz meia dúzia de baboseiras e vai toda a gente contente para casa.

Primeiro o homem sabe o que é banda-larga?

Sabe o que se paga em Portugal por uma linha ADSL básica de 512kbps?  Uns 35 Euros.

Sabe o que se paga nos outros países europeus pelo mesmo serviço? Sabe que, por exemplo, agora em França um operador está a lançar o serviço a 15Mbps por 30 euros? É só 30 vezes mais rápida que os Sapos ADSL e companhias e  mesmo assim ainda é mais barata.

Para estimular a banda larga não seria mais fácil recomendar à PT (da qual o estado é accionista de referência e possui uma "golden share") uma redução nas tarifas actuais? Conheço muita boa gente que ainda não tem banda larga em casa, exclusivamente, por causa do preço.

E já agora, que tal recomendarem à PT que cumpra as deliberações da ANACOM:

a PT deve "oferecer pelo menos uma classe de acesso local com débito igual ou superior a 2 Mbps no sentido descendente, especificamente uma classe de 2 Mbps no sentido descendente e de 512 Kbps no sentido ascendente". Ao que a PT  Comunicações defende que o mercado não está ainda preparado para esta velocidade de acesso, contrapondo uma oferta de 1 Mbps.

Como é que ao o governo defende através da PT (porque ao não contrariar a administração da PT está implicitamente a concordar com ela) que hoje o mercado não está preparado para linhas de 2Mbps e ao mesmo tempo diz que daqui a um ano metade da população vai ter banda larga em casa?

Não tinha mais sentido o Morais Sarmento preocupar-se com estas coisas do que andar em worshops a dizer baboseiras?