Vamos fazer de conta que voltamos ao dia 1 de Abril de 2000 (não liguem ao facto de ser dia das mentiras).
São 19:00 horas, começa no estádio da Luz mais um Ben7ica - FC Porto arbitrado por Martins dos Santos, está um temporal do caraças e o jogo dá na SIC, uns minutos depois canto a favor do FCP, Clayton dirige-se para a sua marcação, Bossio está entre os postes, Clayton marca o canto, o bandeirinha (ou como agora se diz, árbitro-assistente) está no enfiamento da linha de fundo, a bola dirige-se para dentro (será que está lá dentro?) da baliza, Bossio em esforço soca a bola para a trave e o Rojas retira-a da linha de golo. O jogo segue na paz do senhor.
Fica no ar a dúvida, quando o Bossio soca a bola esta já estaria dentro da baliza? A transmissão televisiva pouco esclarece, a SIC durante o jogo não apresenta repetições. Em programas posteriores, juntando-se as filmagens da RTP, a questão manteve-se sempre no ar. Na altura havia aquela história das imagens virtuais que deram a jogada como golo.
E o que se disse na altura?
Ficou toda a gente... era impossivel, aquela velocidade, o bandeirinha ver que a bola entrou.
A mim não me escandaliza, porque eu, se fosse arbitro, nunca validaria aquele aquele golo.
Lá está, também não tenho certeza que a bola entrou, por isso também não podia valida-lo!
Deixemo-nos de conversas de treta: é quase impossivel (e se calhar mesmo para o bossio) ver que a bola entrou, tal a rapidez do lance. Donde não há nenhuma dúvida ... e donde, não há beneplacitos possiveis.
O que achei estranho foi não terem mostrado, DURANTE o jogo, a repetição que se viu hoje, com uma câmara que, sem imagens virtuais, mostra bem a bola lá dentro.
Acho que é uma falha grave o fiscal de linha não ter visto a bola a entrar.
O jogo continuou como se nada fosse, o ben7ica lá acabou por marcar um golo num remate do Sabry que tabela no Paulinho Santos e trai o Hilário (fazendo-lhe um chapéu). No fim do jogo rezam as crónicas:
Claro que também neste jogo houve casos: o tipo de arbitragem praticado por Martins dos Santos foi em certos momentos penosa, deixando jogar quando eram cometidas faltas claríssimas. Quis o acaso que esta filosofia desse origem a um lance ilegal determinante no desfecho da partida: o golo do Benfica é antecedido de uma falta contra a equipa da casa. Uma falta aparentemente inofensiva, vulgar até, aparentemente inconsequente. Esperemos apenas que não se venha a tornar motivo de polémica ao longo da semana.
Outra situação controversa aconteceu quando Clayton apontou um pontapé de canto: a bola estava dentro da baliza quando Bossio a tocou contra a barra. Espera-se que os responsáveis portistas não radicalizem a atitude que tomaram no fim do jogo, quando ignoraram toda a imprensa, e comecem agora a convocar conferências de imprensa para enxovalhar o árbitro auxiliar que não interpretou correctamente o lance. Porque a questão é esta: quantas pessoas se aperceberam de que foi golo sem o recurso às tão famosas imagens virtuais?
Faltavam 6 jornadas para acabar o campeonato e o FCP ficou com a necessidade de recuperar 4 pontos em relação ao Sporting, o que não viria a conseguir. Convém realçar que foi igualmente nessa época que aconteceu o famoso caso de Campo Maior.
Onde andavam nessa altura os arautos da verdade que agora enchem páginas de jornais e preenchem horas de emissão nas rádios e televisões?
Como já dizia o Camões: Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.