Seguem-se excertos do estudo de viabilidade técnica, económica e financeira incluído na Oferta pública de subscrição de 2.300.000 obrigações representativas do empréstimo obrigacionista "F.C.Porto - Futebol, SAD"
"A Futebol Clube do Porto – Futebol, S.A.D. (FC Porto SAD), apresentou resultados negativos nos três últimos exercícios (em termos individuais e consolidados), pelo que, nos termos da alínea d) do n.º 1 do Artº 137 e da alínea c) do Artº 156 do Cód. VM, é requerido a elaboração do estudo de viabilidade técnica, económica e financeira da sociedade."
"Tendo em consideração uma manifesta estagnação/recessão no mercado de transferências de jogadores entre clubes de futebol profissional, existe uma forte aposta, por parte da FC Porto SAD, nas escolas de formação do FC Porto e na promoção anual de alguns desses jogadores à equipa principal. Esta movimentação de jogadores vem, por um lado, reduzir as necessidades de investimento e renovação da equipa com recurso a jogadores formados por terceiros, bem como aliviar os custos com pessoal e perspectivar um aumento de fontes de receita com a futura alienação dos seus direitos desportivos a outros clubes."
"Seguindo a filosofia de que se pretende apenas manter os jogadores talentosos e que se possam afirmar no plantel da FC Porto SAD, no que diz respeito aos proveitos com empréstimos de jogadores (jogadores do quadro da FC Porto SAD cedidos temporariamente a terceiros), prevê-se o desaparecimento desta fonte de receitas, uma vez que se pretende privilegiar a alienação de direitos desportivos face à pressão que as remunerações e encargos sociais dos jogadores exercem sobre a rubrica de Custos com Pessoal."
Comentário: Num quadro que antecede este parágrafo está indicado que em 2004/2005 se previa que não existissem jogadores emprestados.
"Custos com pessoal
Sendo inequivocamente a rubrica de maior peso nos custos do Grupo FC Porto SAD, os Custos com Pessoal são fortemente pressionados pelos elevados níveis salariais dos jogadores de futebol profissional, praticados pela maioria dos clubes, com o objectivo de aumentar a sua competitividade desportiva. Não obstante, está em prática uma estratégia no sentido de inverter esta tendência, cujos resultados se esperam vir a revelar durante os próximos anos, através de redução absoluta dos valores envolvidos. Esta redução dever-se-á, em parte, à aposta na formação interna de jogadores."
"A implementação das estratégias seguidas pela Administração da FC Porto SAD assenta num conjunto de pressupostos nucleares para a validação da análise económico-financeira desenvolvida no decorrer deste documento, entre os quais salientamos:
1. Estádio do Dragão: a utilização do Estádio do Dragão é um elemento fundamental na implementação da estratégia delineada, pelo que representa em termos de acréscimo da capacidade de atracção de público aos jogos, da capacidade de diversificação dos espectadores tradicionais e pela dinamização comercial que trará à venda de produtos associados ao FC Porto;
2. Capacidade de Redução de Custos Salariais: a capacidade de criar internamente competências e infraestruturas de apoio à formação de jovens talentos, será um factor determinante para o sucesso na contenção e redução da massa salarial paga aos atletas;
3. Rigor Financeiro na Gestão: o rigor na contratação de jogadores formados por terceiros (rigor em termos de condições financeiras oferecidas, mas também de critérios apertados de selecção) e na capacidade de gerir os momentos de venda de direitos desportivos, contribuirão para o equilíbrio das contas e para uma trajectória de sustentabilidade;
4. Manutenção do Sucesso Desportivo: a tradução da estratégia delineada, em vitórias nacionais e internacionais (na senda do passado recente), constituirá uma condição necessária (mas não suficiente) para a consolidação da viabilidade do projecto empresarial encabeçado pela FC Porto SAD.
Podemos concluir, assim, que o sucesso económico-financeiro está fortemente dependente do sucesso desportivo. No entanto, a viabilidade do negócio não decorre somente de uma gestão activa do fluxo de proveitos, sendo também fortemente dependente de uma gestão activa e rigorosa das componentes de custos. A observação da preocupação de gestão destas duas vertentes, cria uma tendência de sustentabilidade do negócio e de viabilidade do mesmo dentro do horizonte considerado."
Agora digam-me se a SAD está a seguir as suas próprias orientações.